A Associação dos Inquilinos Lisbonenses deu nota esta segunda-feira do falecimento, aos 84 anos, do seu presidente durante a maior parte do último quarto de século.
“Romão Lavadinho dedicou décadas da sua vida à causa pública, sendo uma voz firme, competente e solidária na proteção das famílias arrendatárias. O seu compromisso incansável com a justiça social, o diálogo e a construção de soluções justas para o setor do arrendamento constituem um legado que continuará a inspirar o trabalho da AIL e de todos os que acreditam num acesso à habitação digno e equitativo”, refere a associação.
A associação destaca o seu ativismo político na cidade de Lisboa, “destacando-se nas lutas em 2004/2005 e em 2012/2013, lutando incansavelmente pelo direito dos inquilinos e pelo direito de todos à habitação”. A intervenção partidária de Romão Lavadinho, formado em Sociologia, fez-se no PCP, cujas listas integrou e apoiou em eleições autárquicas em Lisboa.
Nos seus mandatos à frente dos inquilinos lisbonenses, assistiu ao processo de gentrificação da cidade e da expulsão dos seus moradores à medida que aumentava o preço das rendas. Em 2017, dizia à revista Visão que também ele foi obrigado a sair da cidade, trocando o bairro da Ajuda pela outra margem do Tejo, no concelho de Almada.
“Se o arrendamento habitacional já era considerado um subproduto e mesmo um anacronismo, o crescimento do alojamento local veio pressionar ainda mais e mais rapidamente, o arrendamento na cidade para algo semelhante a uma obsolescência”, escrevia em 2016 num artigo para o Esquerda.net em que alertava que as “zonas centrais de Lisboa estão a tornar-se morada exclusiva para os mais ricos”.
O Bloco de Esquerda e o Esquerda.net endereçam sentidas condolências à família e amigos de Romão Lavadinho.