Maria Odete Santos nasceu a 26 de abril de 1941, na freguesia de Pêga, concelho da Guarda, filha de professores primários. É mais conhecida, contudo, pela sua ligação a Setúbal que começa logo na sua infância, tendo aí crescido desde os dez anos.
Na nota publicada pelo PCP esta quarta-feira, onde se informa do seu falecimento, explica-se teve "desde muito jovem" intervenção em associações culturais e de recreio, nomeadamente no clube de campismo de Setúbal e que por isso foi perseguida pela Pide.
Depois de estudar no Liceu de Setúbal, formou-se em Direito pela Universidade de Direito e tornou-se advogada em 1968. Mas foi a garra que demonstrou no seu percurso político, na defesa dos direitos dos trabalhadores e das mulheres, nomeadamente dando a cara pela despenalização da Interrupção voluntária da gravidez, na promoção da cultura e em vários outros temas que a tornou conhecida do país inteiro.
Na política partidária estreou-se logo em 1974, tendo então aderido ao PCP, partido do qual foi militante até ao final da sua vida. Entre este ano e 1976 foi vereadora do pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Setúbal. Depois disso, fez parte da Assembleia Municipal deste concelho desde 1979 até 2009, tendo-a presidido ao longo de oito anos, entre 2001 e 2009.
Entretanto, em 1980, tornou-se deputada, representando o partido na Assembleia da República até 2007. No Parlamento, integrou várias comissões como as de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, de Saúde, Subcomissão de Justiça e Assuntos Prisionais.
No interior do PCP fez parte do Comité Central entre 2000 e 2012 e pertenceu ainda à comissão concelhia de Setúbal e à direção da organização regional desse distrito.
Integrou ainda a direção de organizações como o Movimento Democrático de Mulheres e a Associação de Amizade Portugal-Cuba.
Para além da dimensão participativa na vida pública, exerceu a sua paixão pelo como atriz amadora. Criou e trabalhou no Teatro de Animação de Setúbal e subiu também ao palco do Teatro Maria Vitória em Lisboa, tendo várias das peças que representou no Parque Mayer sido transmitidas na televisão.
Outra sua faceta era a de escritora. A esse nível, publicou por exemplo, em 2003, a obra “Em Maio há cerejas”, pela editora Ausência; em 2010 foi a vez de “A Bruxa Hipátia – o cérebro tem sexo?” pela editora Página a Página; em 2014 de “Confissões de uma enfermeira” pela By the Book”.
Publicou ainda, em 2002, uma coletânea de poesia homenageando os poetas que amava. Num CD publicado junto com este livro declamava os poemas presentes na obra.
"A esquerda conheceu a combatividade e determinação de Odete Santos"
O Bloco de Esquerda lembra que Odete Santos "foi sempre uma lutadora pelos direitos do trabalho, pela cultura, pela dignidade das mulheres". "Em cada uma destas lutas, como em tantas outras, a esquerda conheceu a combatividade e determinação de Odete Santos", lê-se na nota de pesar divulgada, na qual o Bloco transmite ao PCP e aos familiares e amigos de Odete Santos as suas condolências.
Pelos direitos do trabalho, pela cultura, pela dignidade das mulheres. Em cada uma destas lutas, como em tantas outras, a esquerda conheceu a combatividade e determinação de Odete Santos. Endereço à família, amigos e ao PCP as mais sentidas condolências. pic.twitter.com/oxvzLzK4F2
— mariana mortágua (@MRMortagua) December 27, 2023
Artigo atualizado com a nota de pesar do Bloco de Esquerda.