Está aqui

Morreu o poeta chileno Nicanor Parra

O poeta chileno Nicanor Parra, criador da "anti-poesia" e vencedor do Prémio Cervantes em 2011, morreu esta terça-feira, aos 103 anos. Era o derradeiro sobrevivente do "trio de grandes poetas chilenos", que formava com Pablo Neruda e Vicente Huidobro.
Nicanor Parra (1914-2018)
Nicanor Parra (1914-2018)

Com o seu segundo livro, "Poemas e anti-poemas" (1954), Nicanor fixou o seu próprio destino na literatura chilena, contestando a poesia acomodada, cheia de pompa, escusadamente grave. A sua morte, aos 103 anos, foi anunciada esta terça-feira, pelo o Governo de Santiago do Chile.

Nascido na região mais ocidental da Província de Ñuble, em San Fabián de Alico, em 5 de setembro de 1914, o também físico e professor universitário, Nicanor Parra, era o mais velho de nove irmãos, entre os quais a cantora Violeta Parra, a pioneira da "nova canção chilena", nascida há cem anos.

Nicanor Parra recebeu o Prémio Nacional de Literatura do Chile (1969), o Prémio de Literatura Latino-americana Juan Rulfo (1997), o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-americana (2001) e o Prémio Cervantes (2011).

Em poesia tudo é permitido

Era o derradeiro sobrevivente do "trio de grandes poetas chilenos", que formava com Pablo Neruda e Vicente Huidobro. Considerado "o destruidor dos cânones tradicionais da lírica, com os seus 'instrumentos' e a sua 'antipoesía'”, como recorda a agência de notícias Efe, Nicanor foi também um dos grandes do 'antissistema' literário-político chileno e latino-americano, inspirando outros além-fronteiras e além-mares. "Passou demasiado sangue sob as pontes, para se continuar a crer que possa seguir-se um só caminho. Em poesia tudo é permitido", escreveu, segundo citação da Lusa.

Nicanor Parra foi também um combatente pela democracia, passou períodos de exílio nos EUA e pertenceu à Frente de Intelectuais que se opôs ao general Augusto Pinochet, tendo apoiado a campanha pelo "Não", no referendo de 1988, que levou ao afastamento do ditador.

Além de "Poemas e anti-poemas", na sua obra destacam-se a obra de estreia, "Cancionero sin nombre" (1937), "La camisa de fuerza" (1968), "Artefactos" (1972), "Poesía política" (1983), "Hojas de Parra" (1985), "Discursos de sobremesa" (2006). Com Neruda escreveu "Discursos" (1960), livro de ensaios que marcou a literatura da época.

Em Portugal, surge na coletânea "Poesia do Século XX - de Thomas Hardy a C.V. Cattaneo", com tradução de Jorge de Sena (Inova, 1978), em a "Rosa do Mundo - 2001 poemas para o futuro", traduzido por José Bento (Assírio & Alvim, 2001), e por Miguel Filipe Mochila, para "Acho Que Vou Morrer de Poesia" (Língua Morta, 2015).

 

 

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Cultura
(...)