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Morreu Júlio Pomar (1926-2018)

O artista plástico faleceu no Hospital da Luz em Lisboa, com 92 anos. Júlio Pomar é um dos criadores de referência da arte moderna e contemporânea portuguesa e o deputado bloquista Jorge Campos considera que é “também um artista universal”.
Júlio Pomar (1926-2018) – Foto de José Coelho/Lusa (arquivo)
Júlio Pomar (1926-2018) – Foto de José Coelho/Lusa (arquivo)

O pintor e escultor Júlio Pomar nasceu em Lisboa, em 10 de janeiro de 1926, e faleceu nesta terça-feira, 22 de maio, na sequência de problemas de saúde relacionados com a idade.

Entrou para a Escola Superior de Belas-Artes em 1942 e dois anos depois mudou-se para o Porto, devido à discriminação aos alunos da Escola António Arroio. Em 1945, tornou-se responsável pela página semanal “A Arte”, do diário A Tarde, do Porto.

Foi um lutador antifascista, fez parte do MUD Juvenil e, em 1947, foi preso pela PIDE. A sua obra foi influenciada pela resistência ao fascismo e foi marcada por várias estéticas, do neorrealismo ao expressionismo e abstracionismo

Em 2004, foi condecorado por Jorge Sampaio, então Presidente da República, com a Ordem da Liberdade. Em 2013, abriu o Atelier-Museu Júlio Pomar, instalado num edifício em Lisboa, perto da residência do artista, com um acervo de cerca de 400 obras.

As obras, doadas pelo artista à Fundação Júlio Pomar, incluem pintura, escultura, desenho, gravura, cerâmica, colagens e ‘assemblage’.

Uma figura gigantesca da arte contemporânea portuguesa”

Em declarações à agência Lusa, o deputado Jorge Campos do Bloco de Esquerda considerou que Júlio Pomar é “uma figura gigantesca da arte contemporânea portuguesa”.

O deputado bloquista sublinhou que “Júlio Pomar não é apenas um grande artista português, mas também um artista universal” e que “é uma figura gigantesca da arte contemporânea portuguesa e alguém que manteve uma atividade permanente de diálogo com a realidade na qual se insere”.

Para Jorge Campos, a morte do artista plástico “naturalmente que é uma grande perda, mas o seu legado, tal como a sua figura, é igualmente gigantesco”.

“Esta obra que nos fica e esta obra que nos deixa vai seguramente continuar a permitir-nos interpelá-lo e interpelarmo-nos em função daquilo que ele nos deixa e que é uma reflexão muito profunda sobre aquilo que somos, quem somos, onde estamos e para onde queremos ir”, observou.

Jorge Campos lembrou que Júlio Pomar “desde muito novo conviveu com grandes vultos da cultura contemporânea portuguesa”. “Depois vai para o Porto - suponho que em 1944 - e aí integra um grupo muito irreverente, o chamado grupo dos independentes, onde convive com artistas de grande notoriedade, como o Nadir Afonso, Júlio Resende e sobretudo do Fernando Lenhas, de quem ele era muito amigo”, contou.

Jorge Campos destacou também a atenção que o artista plástico dedicou “ao real naturalmente que se cruza com os caminhos do neorrealismo” e salientou o facto de Pomar ter sido “um cidadão muito ativo e politicamente muito empenhado, que inclusivamente conheceu as prisões do fascismo”.

Em posts publicados nas respetivas páginas pessoais no facebook, Catarina Martins realça que o artista foi um “Criador de liberdade e modernidade” e Marisa Matias que “foi um artista comprometido com a arte e com os valores da democracia”.

 

 

Notícia atualizada às 21.30h do dia 22 de maio de 2018.

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