Obituário

Morreu Joaquim Calhau, histórico sindicalista do setor católico

11 de dezembro 2025 - 11:11

Fundador da BASE-FUT e da União dos Sindicatos de Coimbra, o dirigente dos bancários do Centro representou a CGTP na Europa, escreveu um romance, foi autarca socialista em Coimbra e candidato nas listas do Bloco em Miranda do Corvo.

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Joaquim Calhau
Joaquim Calhau. Foto DR

Falecido esta quarta-feira aos 84 anos, Joaquim Calhau nasceu em 1941 em Ribeira de Frades e desde cedo integrou a Juventude Operária Católica na secção de Taveiro. Foi dirigente da JOC e presidiu à Direção Diocesana de Coimbra. Em 1966 participou na fundação do Grupo BASE e também fundou o grupo de Ativistas Sindicais Clandestinos na cidade de Coimbra.

Bancário desde 1968, organiza dois anos depois a primeira lista de oposição no Sindicato dos Bancários do Centro. Em 1974 participou na constituição da Intersindical de Coimbra, mais tarde União dos Sindicatos de Coimbra. Fundou e integrou a primeira Comissão de Trabalhadores do Banco Pinto e Sotto Mayor em Coimbra e em 1975 integra a lista de independentes que vence a direção do Sindicato dos Bancários do Centro. Participou nos grupos que contestaram a lei da unicidade sindical.

Em 1977, Joaquim Calhau foi delegado o Congresso de todos os Sindicatos da Intersindical, cuja sigla foi mudada nesse congresso por CGTP – Intersindical Nacional. Foi eleito membro do Secretariado Nacional e responsável pelas áreas da Segurança Social, Saúde, Reformados, Desporto e Cultura. Integrou delegações oficiais da CGTP e da BASE-FUT a vários países e durante vários anos representou o país nas Assembleias Gerais da Organização Internacional do Trabalho em Genebra. No processo de adesão à CEE, foi membro da delegação da CGTP em Bruxelas e depois participou no processo de adesão da central sindical à Confederação Europeia de Sindicatos. Fez parte do Grupo Dinamizador da BASE-FUT, para a Construção do Centro de Formação e Tempos Livres em Coimbra, a cuja direção pertenceu e fundou o Instituto 1º de Maio da CGTP em Lisboa.

O ativismo político de Joaquim Calhau passou pela organização da caravana de apoio à candidatura presidencial de Maria de Lurdes Pintasilgo em 1986. Em Coimbra teve intervenção autárquica enquanto líder da bancada socialista na Freguesia de Santo António dos Olivais. Mais tarde foi viver para Miranda do Corvo, onde foi candidato independente nas listas do Bloco nas autárquicas de 2009, 2013 e 2017.

Joaquim Calhau lançou no ano passado um romance, “A Pedra e o Tempo”, inspirado numa história de amor que aconteceu em Coimbra. No início do século tinha publicado “Memórias de um Sindicalista”, uma obra baseada em conversas com o editor e amigo Jorge Fragoso.

O Bloco de Esquerda e o Esquerda.net endereçam sentidas condolências aos familiares e amigos de Joaquim Calhau.