A notícia da morte de Celeste Caeiro foi divulgada esta sexta-feira nas redes sociais pela sua neta, que a acompanhou nas comemorações dos 50 anos do 25 de Abril na gigantesca marcha que desceu a avenida da Liberdade. A efeméride foi para muita gente a oportunidade de conhecer o rosto da mulher que, sem o saber naquele momento, acabou por batizar a Revolução portuguesa.
A história resulta de uma coincidência feliz. Na manhã do 25 de Abril, o restaurante onde trabalhava, no edifício Franjinhas da Rua Braancamp, tinha preparado uma atenção especial para os clientes para assinalar o primeiro aniversário. Mas com um golpe militar em marcha na capital, o patrão mandou todos embora e disse para levarem as flores para não se estragarem. Celeste rumou ao Rossio e encontrou os blindados Chaimite junto à Rua do Carmo, perguntando a um soldado o que se passava. Este acabou por lhe pedir um cigarro, mas Celeste não fumava e ofereceu-lhe um cravo, que o soldado colocou no cano da espingarda. Depois disso, ofereceu também cravos aos soldados que o acompanhavam e aos que foi encontrando no caminho para casa.
Depois disso, ao verem alguns soldados com os cravos nas espingardas, as vendedoras de flores do Rossio começaram também a oferecer cravos aos militares, imortalizando assim nas imagens do dia o cravo vermelho como símbolo da Revolução.