Lisboa

Moedas abandona reunião sobre acidente do elevador da Glória

08 de setembro 2025 - 17:14

“Aquilo que se passou na reunião desta manhã foi o pior que há na política em Portugal”, diz a vereação do Bloco. Gabinete de Moedas diz que o autarca foi ter com a ministra da Saúde para “inteirar-se do estado dos feridos” e só voltou após os vereadores da oposição manifestarem a sua indignação aos jornalistas.

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Carlos Moedas acena
Carlos Moedas.

Numa reunião extraordinária de Câmara com a presença do presidente da Carris para obter explicações sobre o acidente do elevador da Glória, que na quarta-feira provocou 16 mortos e mais de 20 feridos, o presidente da Câmara decidiu abandoná-la a meio, por volta das 11h, sem explicações. Fonte do gabinete disse aos jornalistas que se tinha ido inteirar do estado dos feridos do acidente unto com a ministra da Saúde. Regressaria mais tarde, por volta as 15h, para o período de votações já após as declarações à imprensa dos vereadores da oposição indignados com a inusitada ausência.

Um dia depois de ir à televisão garantir que não vai assumir responsabilidades políticas pelo acidente mortal no meio de transporte da Carris, empresa que é propriedade do município lisboeta, Carlos Moedas foi à reunião participar no ponto da ordem de trabalhos sobre o luto municipal e fazer uma declaração genérica para voltar a afastar responsabilidades.

“Aquilo que se passou na reunião desta manhã foi o pior que há na política em Portugal”, disse aos jornalistas Ricardo Moreira, o vereador do Bloco em substituição. “Tivemos Carlos Moedas numa reunião em que parece que correu tudo bem e ele próprio considera que não é responsável por nada. Dir-se-ia mesmo que é irresponsável. Isto não foi um desastre natural, não aconteceu por acaso. Há responsabilidades técnicas e há responsabilidades políticas”, defendeu o autarca do Bloco.

Para Ricardo Moreira, Moedas “fugiu objetivamente da reunião de Câmara onde que era suposto dar respostas sobre estas questões”. O Presidente da Câmara não ficou para ouvir as explicações do presidente da Carris e “houve um conjunto de perguntas em que nem Carlos Moedas nem a administração da Carris conseguiram dar respostas”, prosseguiu, referindo-se às questões colocadas em requerimento sobre o apoio às vítimas, a redução de 31% do contrato de manutenção deste ano, os critérios de seleção e fiscalização da empresa, o número de passageiros transportados por ano desde 2022, mas também as razões para os concursos não preverem a inspeção à fixação do cabo que esteve na origem do acidente.

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