O protesto teve lugar em frente ao edifício da Câmara de Odemira, onde, esta segunda-feira, se realizou ma reunião com os vários parceiros que assinaram o Pacto da Água em 2023 sobre a falta de recursos hídricos na região. O encontro, patrocinado pelos autarcas de Odemira e Aljezur, contou com a participação da ministra da Agricultura, do ministro do Ambiente e da Ação Climática, de empresários do setor agrícola e associações de produtores, ambiente e turismo.
À sua chegada, Maria do Céu Antunes e Duarte Cordeiro foram vaiados pelos manifestantes, que entoaram palavras de ordem como "a água é do povo, a água é para todos" e exibiram cartazes onde se podiam ler frases como “Estufem a vossa prima”, “Dinheiro rápido, estragos permanentes” e “A água é de todos”. Enquanto decorreu a reunião, vários manifestantes deitaram-se no chão, simulando a morte devido à seca.
Em declarações à agência Lusa, Fátima Teixeira, do movimento Juntos pelo Sudoeste, expressou a sua preocupação face à diminuição da cota da barragem de Santa Clara e à pressão exercida “pelo lóbi da agricultura intensiva”, no sentido de aumentar as dotações e baixar mais a cota da barragem.
Em causa está “a qualidade e o volume de água que os consumidores domésticos vão ter”, enfatizou Fátima Teixeira. Conforme apontou a ambientalista, caso baixem a cota “para ir mais água para a agricultura” vão “ter de começar a cortar” nos consumidores domésticos, “que são só 6% da água que sai da barragem” de Santa Clara.

Luísa Rebelo, em representação de um turismo rural, em Brejão, na freguesia de São Teotónio, alertou para a ameaça que paira sobre o turismo rural: “Todos nós que vivemos nesta região temos sido esquecidos. Toda a água que sai da barragem de Santa Clara vai para a agricultura intensiva, sem haver uma organização e de forma sustentável, gastando todos os nossos recursos e, claro, que quem quer continuar com as suas atividades, principalmente no setor do turismo, vê o seu futuro ameaçado”, vincou.

Diogo Coutinho, da associação SOS Rio Mira, lembrou que “o problema da falta de água na barragem se tem vindo a agravar de dia para dia”.
“Penso que é fundamental pensar-se na forma como a água é utilizada [porque] não é um recurso económico. A água é vital para todos e os rios são a artéria de vida do planeta e o rio Mira tem uma importância fundamental para este território”, defendeu.

À saída da reunião, ambos os governantes confirmaram estar a ponderar baixar a cota de captação de água da barragem de Santa Clara, no concelho de Odemira, de 104 para 102, na agricultura, e de 102 para 100, no consumo humano.
Duarte Cordeiro alegou, ainda assim, que “qualquer revisão de cota só acontecerá a partir do momento em que entre em funcionamento uma nova capacidade física de ir buscar água a uma cota mais baixa para consumo urbano”.