O ministro da Justiça da Irlanda, Dermot Ahern, denunciou esta terça-feira que os responsáveis do Banco Central Europeu tentaram forçar a Irlanda a aceitar o resgate financeiro externo ainda antes de este ser debatido pelo governo. “É o que está a acontecer agora em Portugal”, disse.
"Claramente, havia pessoas de fora deste país que estavam a tentar empurrar-nos, enquanto Estado soberano, para fazer um pedido de empréstimo – atirar a toalha – antes sequer de, enquanto governo considerarmos essa hipótese", disse o ministro numa entrevista à rádio RTE, citada pelo Irish Times.
“Se reparar”, disse, “estão a fazer o mesmo em Portugal, devido ao medo de Portugal causar contágio”.
A Irlanda aceitou há pouco mais de uma semana um empréstimo internacional de 85 mil milhões de euros da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional. Cerca de um terço desse valor será dirigido directamente para capitalizar os falidos bancos irlandeses.
Não devíamos receber solidariedade dos lobos
“Tenho ido a reuniões da UE nos últimos 13 anos e meio como ministro, e ouve-se muita discussão sobre solidariedade”, disse. “Aceito que os parceiros europeus nos davam solidariedade, mas acredito fortemente que a Irlanda devia procurar este tipo de solidariedade do povo e não devíamos recebê-la dos lobos.”
Na mesma entrevista, Dermot Ahern denunciou que o tempo todo o país sofre pressões consideráveis para desistir do imposto de 12,5% sobre as empresas.
Sinn Féin quer votação
O líder parlamentar do Sinn Féin, Caoimhghín Ó Caoláin, insistiu no mesmo dia que o governo deve levar ao voto no Parlamento o acordo com o FMI. “A Constituição especificamente refere que os tratados envolvendo encargos sobre o ppúblico têm de ser aprovados pelo Parlamento”, disse. “Se o governo do Fianna Fail e dos Verdes persistir em não levar o acordo ao voto, estará a agir inconstitucionalmente.”