Ministro irlandês denuncia pressões do BCE

30 de novembro 2010 - 17:05

Dermot Ahern, da Justiça, diz que responsáveis do Banco Central tentaram forçar a Irlanda a aceitar o resgate financeiro ainda antes deste ser debatido pelo governo: “É o que está a acontecer agora em Portugal”.

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Dermot Ahern disse que Portugal está agora a receber pressões do BCE, semelhantes às que a Irlanda sofreu. Foto wikimedia commons

O ministro da Justiça da Irlanda, Dermot Ahern, denunciou esta terça-feira que os responsáveis do Banco Central Europeu tentaram forçar a Irlanda a aceitar o resgate financeiro externo ainda antes de este ser debatido pelo governo. “É o que está a acontecer agora em Portugal”, disse.

"Claramente, havia pessoas de fora deste país que estavam a tentar empurrar-nos, enquanto Estado soberano, para fazer um pedido de empréstimo – atirar a toalha – antes sequer de, enquanto governo considerarmos essa hipótese", disse o ministro numa entrevista à rádio RTE, citada pelo Irish Times.

“Se reparar”, disse, “estão a fazer o mesmo em Portugal, devido ao medo de Portugal causar contágio”.

A Irlanda aceitou há pouco mais de uma semana um empréstimo internacional de 85 mil milhões de euros da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional. Cerca de um terço desse valor será dirigido directamente para capitalizar os falidos bancos irlandeses.

Não devíamos receber solidariedade dos lobos

“Tenho ido a reuniões da UE nos últimos 13 anos e meio como ministro, e ouve-se muita discussão sobre solidariedade”, disse. “Aceito que os parceiros europeus nos davam solidariedade, mas acredito fortemente que a Irlanda devia procurar este tipo de solidariedade do povo e não devíamos recebê-la dos lobos.”

Na mesma entrevista, Dermot Ahern denunciou que o tempo todo o país sofre pressões consideráveis para desistir do imposto de 12,5% sobre as empresas.

Sinn Féin quer votação

O líder parlamentar do Sinn Féin, Caoimhghín Ó Caoláin, insistiu no mesmo dia que o governo deve levar ao voto no Parlamento o acordo com o FMI. “A Constituição especificamente refere que os tratados envolvendo encargos sobre o ppúblico têm de ser aprovados pelo Parlamento”, disse. “Se o governo do Fianna Fail e dos Verdes persistir em não levar o acordo ao voto, estará a agir inconstitucionalmente.”