A Polícia Federal brasileira desencadeou esta quarta-feira a Operação Akuanduba, com 35 mandatos de busca numa investigação sobre exportação ilegal de madeira para a Europa e os EUA. O ministro do Ambiente do governo de Jair Bolsonaro foi um dos visados.
Em causa estão crimes de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando.
No documento que autorizou as buscas, o juiz do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, afastou ainda o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, Eduardo Bim, e vários outros funcionários de cargos de nomeação política. Para além disso autorizou a quebra de sigilo bancário e fiscal do ministro brasileiro do Ambiente e de outros acusados. Foi ainda suspenso judicialmente um despacho de fevereiro de 2020 que autorizava a exportação de madeira nativa sem autorização.
A Polícia Federal informa que a investigação foi iniciada em janeiro, quando autoridades estrangeiras alertaram para um "possível desvio de conduta de servidores públicos brasileiros no processo de exportação de madeira".
A tese da investigação é que há um “grave esquema de facilitação ao contrabando de produtos florestais” que passava pelo ministro e vários dos seus colaboradores.
A Folha de São Paulo recorda que esta investigação surge depois de, há cerca de um mês, Salles ter sido acusado pelo ex-superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva, de ter intervindo na maior apreensão de madeira ilegal da história do Brasil, dizendo ter havido falhas na investigação e que as empresas acusadas tinham razão. Foram então apreendidos 200 mil metros cúbicos de madeira vinda do Pará, o que representa a destruição de 65 mil árvores.
Este polícia foi trocado do seu cargo no dia seguinte a ter apresentado uma queixa no Supremo Tribunal Federal contra o ministro por suspeita de “crimes de advocacia administrativa e obstrução de investigação”.
A Folha de São Paulo dá ainda conta que Ricardo Salles, depois das buscas, se deslocou à sede da superintendência da Polícia Federal, acompanhado de um assessor armado, classificando a ação das autoridades como “exagerada e desnecessária”. Agentes policiais disseram ao jornal que este foi pedir pedir explicações e exigiu falar com o superintendente.