Assédio

“As minhas propinas não pagam o nosso assédio”: Estudantes protestaram na FEUP

09 de abril 2025 - 15:49

Dezenas de estudantes concentraram-se à porta da Associação de Estudantes da Faculdade de Engenharia do Porto em solidariedade com as alunas filmadas sem consentimento.

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Concentração na FEUP
Concentração na FEUP. Foto de Eduardo Couto

O caso das filmagens e fotos captadas por baixo das saias das alunas numa gala da Associação de Estudantes daFaculdade de Engenharia da Universidade do Porto, e depois partilhadas em grupos de WhatsApp por elementos da direção da Associação, continua a indignar a comunidade estudantil. Na terça-feira, uma concentração de solidariedade teve lugar à porta da Associação de Estudantes e juntou dezenas de alunos, enquanto decorria uma assembleia estudantil para discutir o assunto.

“Estamos em solidariedade com as colegas que sentem medo e não estão seguras no seu ambiente académico, que deveria ser de segurança e não tem sido, nem foi pelas mãos dos responsáveis e dirigentes associativos da faculdade”, afirmou à agência Lusa a a presidente do Coletivo Feminista da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, Beatriz Morgado.

As universitárias feministas dizem que não basta a condenação dos atos cometidos, pelo que exigem “um procedimento criminal justo” e a “demissão dos responsáveis dos cargos associativos”.

Com cartazes onde se lia “Onde está a FAP [Federação Académica do Porto]?”, “Uma saia não é um convite” ou “As minhas propinas não pagam o nosso assédio”, as estudantes reivindicaram também um plano de ação pela direção das faculdades, em conjunto com a reitoria da Universidade do Porto, a FAP e os diferentes coletivos e grupos feministas.

“A partilha não consentida de conteúdos íntimos sexuais é um crime, é violência contra as mulheres e é um atentado aos direitos humanos, em particular, num contexto de uma universidade e de um contexto associativo”, afirmou Diana Pinto, membro da Plataforma Portuguesa para o Direito das Mulheres, também presente na concentração.

Tanto o presidente da associação como o seu tesoureiro, ambos envolvidos no grupo de WhatsApp onde as imagens eram partilhadas, apresentaram a demissão na assembleia geral. A associação diz ter optado por um “plano de ação focado nas vítimas, privilegiando o contacto direto com as mesmas, prestando apoio individualizado e solidário, e respeitando sempre a sua privacidade”.