O caso das filmagens e fotos captadas por baixo das saias das alunas numa gala da Associação de Estudantes daFaculdade de Engenharia da Universidade do Porto, e depois partilhadas em grupos de WhatsApp por elementos da direção da Associação, continua a indignar a comunidade estudantil. Na terça-feira, uma concentração de solidariedade teve lugar à porta da Associação de Estudantes e juntou dezenas de alunos, enquanto decorria uma assembleia estudantil para discutir o assunto.
“Estamos em solidariedade com as colegas que sentem medo e não estão seguras no seu ambiente académico, que deveria ser de segurança e não tem sido, nem foi pelas mãos dos responsáveis e dirigentes associativos da faculdade”, afirmou à agência Lusa a a presidente do Coletivo Feminista da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, Beatriz Morgado.
Upskirting
Imagens íntimas de alunas da FEUP partilhadas no WhatsApp por membros da AE
As universitárias feministas dizem que não basta a condenação dos atos cometidos, pelo que exigem “um procedimento criminal justo” e a “demissão dos responsáveis dos cargos associativos”.
O movimento feminista estudantil levantou-se contra o assédio sexual na academia. pic.twitter.com/kLqGa1v3HH
— Eduardo Couto (@eduardo_couto_) April 8, 2025
Com cartazes onde se lia “Onde está a FAP [Federação Académica do Porto]?”, “Uma saia não é um convite” ou “As minhas propinas não pagam o nosso assédio”, as estudantes reivindicaram também um plano de ação pela direção das faculdades, em conjunto com a reitoria da Universidade do Porto, a FAP e os diferentes coletivos e grupos feministas.
“A partilha não consentida de conteúdos íntimos sexuais é um crime, é violência contra as mulheres e é um atentado aos direitos humanos, em particular, num contexto de uma universidade e de um contexto associativo”, afirmou Diana Pinto, membro da Plataforma Portuguesa para o Direito das Mulheres, também presente na concentração.
Tanto o presidente da associação como o seu tesoureiro, ambos envolvidos no grupo de WhatsApp onde as imagens eram partilhadas, apresentaram a demissão na assembleia geral. A associação diz ter optado por um “plano de ação focado nas vítimas, privilegiando o contacto direto com as mesmas, prestando apoio individualizado e solidário, e respeitando sempre a sua privacidade”.