A detenção ocorreu na zona da Praça Rabaa Al-Adwiya, onde centenas de pessoas foram chacinadas pela polícia durante as manifestações de 14 de Agosto pela libertação do presidente deposto, Mohamed Morsi. Imagens difundidas nos canais públicos e privados do Egito mostraram Mohamed Badie, de 70 anos, a ser levado pela polícia juntamente com outros dois altos dirigentes da Irmandade Muçulmana.
A detenção do movimento político-religioso que venceu todas as eleições gerais realizadas no Egipto desde a deposição de Hosni Mubarak é considerada no Cairo como mais um passo no processo repressivo que as novas autoridades pretendem conduzir até à dissolução da Irmandade Muçulmana. Fundada em 1928, esta organização funcionou a maior do tempo na clandestinidade.
As autoridades egípcias não revelaram ainda os números mais recentes das vítimas das jornadas de repressão, que poderão ter provocado mais de 800 mortos.
Os correspondentes de imprensa acreditados no Cairo informam que a Irmandade Muçulmana começa a dar sinais de desagregação e de ter sido duramente atingida pela vaga militar repressiva. O novo regime provisório começa assim a ter espaço, dizem analistas, para poder preparar uma transição para consultas eleitorais sem a presença do islamismo político.
Artigo publicado originalmente no portal do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu