Lutas

Milhares voltaram a sair às ruas contra o pacote laboral

28 de fevereiro 2026 - 16:42

Manifestações da CGTP em Lisboa e Porto exigiram a retirada da proposta do Governo. Pureza diz que só a unidade dos sindicatos pode derrotar o pacote laboral. 

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Tiago Oliveira na manifestação da CGTP em Lisboa.
Tiago Oliveira na manifestação da CGTP em Lisboa. Foto António Pedro Santos/Lusa

Muitos milhares de pessoas responderam à chamada da CGTP e participaram nas duas manifestações deste sábado, de manhã no Porto e à tarde em Lisboa. No início do desfile em Lisboa, o secretário-geral da CGTP resumiu aos jornalistas o essencial da mensagem que os trabalhadores trouxeram às ruas: “Exigimos a retirada do pacote laboral, exigimos discutir a melhoria das condições de vida dos trabalhadores com propostas concretas de alteração à legislação que hoje está em vigor para melhorar as condições de vida de quem trabalha”.

Tiago Oliveira sublinhou ainda que este pacote laboral “é negativo para o mundo do trabalho e é negativo para os trabalhadores” e avisou que o Governo “sabe que tem no Chega e na Iniciativa Liberal um braço armado para dar continuidade a esta política”.

No Porto, o dirigente da União de Sindicatos do Porto, Filipe Luís, disse à agência Lusa que esta “é uma luta que vai crescendo, porque cada trabalhador que conheça o conteúdo do pacote laboral reconhece a dimensão do ataque que está a ser ali perpetrado entre Governo e patrões, claramente associa-se a esta luta e mostra disponibilidade para continuar esta luta”.

“Este é mais um passo no sentido de que o Governo retire de vez esta intenção de alterar a legislação laboral, mas caso não faça, a CGTP cá estará para dar os passos seguintes e uma nova greve geral, como é óbvio, nunca está posta de parte”, acrescentou o sindicalista.

Presente na manifestação em Lisboa, José Manuel Pureza disse estar confiante de que é possível derrotar o pacote laboral do Governo, que “está totalmente isolado nesta matéria, está cada vez mais encurralado. É a unidade dos sindicatos, das forças sociais, dos trabalhadores, que é capaz de contrapor a essa arrogância e agressividade uma força que pode derrotar este projeto”.

Lembrando que a unidade dos sindicatos “foi o que fez uma greve geral grande que pôs o Governo encostado às cordas”, o coordenador do Bloco diz que “é absolutamente decisivo que essa unidade se mantenha porque é a única forma de derrotar este pacote laboral”.

Questionado sobre as declarações de Passos Coelho, que desafiou o Governo a ir para eleições caso o pacote laboral seja chumbado no Parlamento, Pureza respondeu que “não há Passos Coelho deste mundo que seja capaz de derrotar a força unida dos trabalhadores” e que “quem quiser estar do lado do pacote laboral fá-lo-á com a violência e a arrogância que já são costumeiras nesta ministra do Trabalho”.

Sobre a atitude que pode tomar o novo Presidente da República, o coordenador bloquista manifestou o desejo de que “seja firme no combate a este pacote laboral porque ele contraria direitos constitucionais fundamentais” que António José Seguro vai esta semana jurar cumprir e fazer cumprir.

Até agora, prosseguiu Pureza, a posição de Seguro não foi clara, ao dizer que só viabilizaria uma proposta que tivesse o acordo da UGT. “António José Seguro não pode ter uma opinião sobre a opinião dos outros, tem de ter opinião sobre a substância das coisas. E essa opinião tem de ser claramente favorável à dos direitos da grande maioria do povo”, defendeu.