Milhares de pessoas manifestaram-se hoje em Paris para assinalar o quarto aniversário da morte de Adama Traoré, um jovem negro que morreu asfixiado por três polícias que o imobilizavam no dia em que fazia 24 anos.
A sua morte criou um movimento de denúncia da violência policial racista em França - o Comité Adama Traoré - que se juntou aos protestos #BlackLivesMatter. Na manifestação deste sábado, organizada no subúrbio de Paris, Beaumont-sur-Oise, ouviram-se palavras de ordem como “Sem justiça não há paz”, noticia a Agência Lusa.
O protesto mobilizou-se em honra de Adama e foi marcado por críticas contra o Governo pela fraca atenção dada ao problema do racismo institucional, críticas que ganharam novo alento depois da morte de George Floyd pela polícia norte-americana em Mineapollis, em maio.
Assa Traoré, irmã de Adama, defendeu que a polícia devia ser acusada pelo homicídio do irmão que, tal como George Floyd, ficou vários minutos debaixo dos polícias, asfixiando.
"Há muitos nomes, imigrantes, pessoas pobres das redondezas, são negras, árabes, não brancos que são mortos pela polícia", disse Assa Traoré, acrescentando: "Porque é que estas investigações estão a ocorrer quatro anos depois? Estas investigações acontecem porque as pessoas estão a pressionar" as autoridades.
O caso permanece oficialmente em investigação e os advogados dos polícias negam que haja culpa no comportamento policial. Ninguém foi acusado.