Milhares contra a nova Constituição de Marrocos

04 de julho 2011 - 1:32

Manifestações nas principais cidades contestam o referendo que aprovou o novo texto constitucional. Movimento 20 de Fevereiro promete continuar com os seus protestos semanais.

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O Movimento 20 de Fevereiro prometeu continuar com os seus protestos semanais até que sejam promovidas reformas verdadeiras. Foto de MarocStoun

Milhares de activistas protestaram nas ruas das principais cidades de Marrocos para exigir mais reformas políticas, apesar da aprovação em referendo da nova constituição do país. “Queremos um futuro melhor”, gritavam. Faixas exibiam slogans como “Dignidade, liberdade e justiça social", e na frente do cortejo de Casablanca podia-se ler uma grande faixa com a inscrição “Não desistimos”.

Segundo a Agência France Press, as manifestações em Rabat, Casablanca, Tânger e outras cidades reuniram muitos milhares de pessoas e foram convocadas pelo Movimento 20 de Fevereiro

Um manifestante de 22 anos, Bilal Chihab, ouvido pela AFP, disse: "Sou estudante, não tenho dinheiro, estudo em condições difíceis e quero que a minha vida mude. É por isso que me manifesto hoje.” Outro, Omar, disse estar a protestar contra a nova Constituição que “nada mudou e que reforça ainda mais os poderes do Rei.”

A nova Constituição de Marrocos, proposta pelo rei Mohammed VI no mês passado e levada a referendo na última sexta-feira, foi aprovada com 98% dos votos. O índice de comparecimento às urnas alcançou 73,4%, bastante superior aos 37% registados nas eleições parlamentares de 2007.

A Constituição concede mais poderes ao Parlamento e ao primeiro-ministro e assegura a independência do Poder Judiciário. No entanto, o comando das Forças Armadas mantém-se nas mãos do monarca e consolida a sua condição de máxima autoridade religiosa do país.

A mudança foi uma resposta da monarquia marroquina aos protestos populares iniciados em Fevereiro para exigir reformas, no meio da onda de levantes em países árabes e muçulmanos que já culminaram na queda de ditaduras na Tunísia e no Egipto, em guerra na Líbia e em grandes protestos em países como Síria, Iémene e Bahrein.

O Movimento 20 de Fevereiro prometeu continuar com os seus protestos semanais até que sejam promovidas reformas verdadeiras. "A reivindicação do movimento nunca foi a constituição", disse Abdel-Hamid Amine, vice-presidente da Associação Marroquina de Direitos Humanos. "Os principais problemas são sociais."