Apesar da tentativa de boicote por parte do Movimento 20 de Fevereiro, impulsionador dos protestos populares no país durante os últimos meses, o referendo sobre a reforma da Constituição proposta pelo rei Muhammad VI mereceu um forte apoio popular.
O secretário-geral da União Marroquina de Trabalho, Miloudi Moukharik, declarou à Agência Efe que a Constituição "não é uma finalidade em si mesma" e sublinhou que o motivo de "todo este movimento político e constitucional é levar a sociedade marroquina para frente".
O presidente do grupo parlamentar do partido islâmico Justiça e Desenvolvimento (PJD), Lahcen Daoudi, afirmou, por sua vez, que "o desafio está agora na aplicação da nova Constituição". Para ele, "o grande risco é que não se coloque em prática o texto, porque a decepção civil será enorme".
Também o dirigente da União Socialista das Forças Populares (USFP), Saoud al Atlassi, defendeu que a Constituição ratificada "aprofundará a democratização do Estado e da sociedade".
Vários governos estrangeiros já reagiram aos resultados.
O ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Alain Juppé, declarou que os marroquinos tomaram uma “decisão clara e histórica”.
Os Estados Unidos também louvaram o referendo, que consideram ser “um passo importante na evolução democrática em curso em Marrocos”.
O próprio governo português congratulou-se com os resultados do referendo, sendo que “considera que a nova Constituição permitirá um reforço e aprofundamento da democracia em Marrocos, traduzindo também um compromisso claro na defesa dos direitos humanos e encoraja todas as forças políticas a trabalhar na sua implementação".