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Milhares coloram a Argentina de verde pela legalização do aborto

Lenços verdes encheram as cidades argentinas assinalando o primeiro aniversário dos pañuelazos, as mobilizações que pretendem mudar a lei do aborto na Argentina. As manifestantes do #19F querem “educação sexual para decidir, anti-contracetivos para não abortar, aborto legar para não morrer.”

No passado mês de agosto, o Senado argentino rejeitou a legalização da interrupção voluntária da gravidez até à 14ª semana que tinha sido aprovada pouco tempo antes no Congresso. Ainda não foi à sétima que foi de vez. Por isso, esta terça-feira uma maré verde desafiou o calor numa centena de cidades argentinas para insistir na alteração da atual lei que data de 1921 e que prevê penas de prisão para as mulheres que abortem e para o pessoal médico que intervenha no ato. Uma nova proposta, com emendas de pormenor, está a ser preparada e será apresentada no Congresso no final de março.

As manifestações foram convocadas pela “Campanha a favor do aborto legal, seguro e gratuito”, uma plataforma de mais de 700 organizações que conta já 14 anos de existência e que defende que “os direitos sexuais, reprodutivos e não reprodutivos, são direitos humanos básicos de todas as pessoas, pelo que é necessário garantir o seu acesso de modo universal”. As feministas, que exigiram igualmente a implementação da Lei de Educação Sexual nas Escolas e do Programa Nacional de saúde sexual e procriação responsável, prometem voltar às ruas no próximo dia 8 de março.

Na Argentina, a cada minuto e meio uma mulher interrompe a gravidez e os hospitais atendem 50 mil mulheres por ano devido a complicações derivadas de abortos clandestinos. 50 mulheres argentinas morrem por ano por esta causa. Por isso, nas pancartas que exibiam as manifestantes podia ler-se “aborto ilegal = femicidio estatal” ou “todas abortamos. As ricas calam, as pobres morrem”. E, em Buenos Aires, em frente ao edifício do congresso, para além das palavras de ordem destas pancartas podiam ler-se os nomes dos senadores conservadores que votaram contra a proposta de despenalização. Ao lado de um cabide, um dos meios mais perigosos usados ainda hoje para fazer abortos clandestinos.

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