A fatia da riqueza mundial nas mãos dos 1% mais ricos do mundo não parou de aumentar nos últimos dez anos, desde a crise financeira global de 2008, diz o relatório sobre a riqueza que é elaborado anualmente pelo Credit Suisse e que reconhece o aumento da desigualdade na distribuição da riqueza.
Só no último ano, relata o jornal Guardian, o número de milionários, que tinha caído em 2008, triplicou desde o início do milénio, totalizando hoje 36 milhões de pessoas, mais 2.3 milhões que no ano anterior. Esse número de pessoas com mais de um milhão de dólares representa 0.7% da população mundial e controla 46% do total da riqueza mundial.

Multimilionários duplicam a sua riqueza desde o início da crise
Na base desta pirâmide estão 3.mil milhões de pessoas, cerca de 70% da população adulta, que detêm apenas 2.7% da riqueza mundial. Em alguns países africanos, quase 100% da população está nesta categoria de baixos rendimentos, com uma riqueza inferior a 10 mil dólares. O mesmo acontece a mais de 90% da população adulta na India e no conjunto de África.
Quanto aos milionários, mais de 40% vivem nos Estados Unidos, seguindo-se o Japão com 7% e o Reino Unido com 6%. Neste caso, o número de milionários, que é avaliado em dólares, recuou devido à desvalorização da libra após o referendo do Brexit.
Para a porta-voz da ONG Oxfam, este relatório volta a mostrar o “enorme fosso” entre ricos e pobres. No Reino Unido, aponta Katy Chakrabortty, os 1% mais ricos já controlam um quarto da riqueza do país, enquanto os 50% mais pobres detêm menos de 5%.
“As recentes revelações dos Paradise Papers puseram a nu um dos grandes instrumentos da desigualdade – a evasão fiscal por parte dos mais ricos e das multinacionais. Os governos devem agir para combater a desigualdade extrema que está a prejudicar as economias em todo o mundo, a dividir as sociedades e a tornar mais difícil que nunca a possibilidade dos mais pobres melhorarem as suas vidas”, afirmou a porta-voz da Oxfam ao Guardian.