A demissão de Christian Wulff, democrata cristão como a senhora Merkel e governador da Baixa Saxónia entre 2003 e 2010, foi apresentada depois de a Procuradoria geral de Hanover ter pedido a suspensão da sua imunidade devido a um alegado caso de tráfico de influências que envolve o industrial cinematográfico David Groenewold.
Wulff demitiu-se ao fim de manhã declarando que “os últimos desenvolvimentos dos acontecimentos deterioraram a confiança dos cidadãos”.
A chanceler, que regressou expressamente de Itália devido à crise aberta, declarou “o respeito e lamento” pela decisão do chefe de Estado, que qualificou como “um passo atrás pondo em primeiro lugar os interesses do povo alemão”.
A chanceler vai iniciar imediatamente consultas para encontrar um novo presidente, o terceiro de uma única sessão legislativa, facto invulgar na política alemã apesar de o presidente não ter papel executivo. Wulff foi imposto após numerosas votações na Assembleia Federal pois até alguns dos representantes da coligação governamental preferiam um candidato da oposição social-democrata. Tudo leva a crer, tendo em conta a alteração da relação de forças entretanto verificada no colégio eleitoral alemão devido à perda de vários Estados pela CDU de Merkel, que o próximo presidente alemão saia das fileiras da oposição.
O caso que atinge directamente Vhristian Wulff relaciona-se com “indícios concretos e suficientes” que, segundo a Procuradoria de Hanover, existem para um delito de tráfico de influências nas relações com o empresário cinematográfico Groenwold. Tudo indica que a empresa deste tenha recebido um aval público do governo da Baixa Saxónia, então dirigido por Wulff, enquanto este passava férias a expensas do citado empresário.
Os escândalos em torno do presidente acumulam-se desde Dezembro, designadamente o facto de ter recebido um crédito vantajoso de outro empresário que evitou revelar quando o Parlamento lhe pediu explicações sobre as relações existentes.
A maioria dos alegados casos que atingem Christian Wulff foram levantados pelo diário de grande tiragem Bild. O presidente terá cometido o erro fatal quando dirigiu uma mensagem ameaçadora ao jornal no caso de continuar a publicar informação com ele relacionada.
Artigo publicado no portal do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu