Catarina Martins lembrou que as verbas para o próximo ciclo de apoio sustentado às artes ficam muito abaixo do necessário, ou sequer do aceitável. A modalidade bienal (2023-2024) deixou a descoberto entre 28% e 60% das candidaturas elegíveis para apoio, dependendo da área artística. Este subfinanciamento afeta não só as estruturas mais conhecidas e implantadas no terreno há largos anos como também as estruturas mais recentes e inovadoras, afeta aquelas que atuam em centros urbanos e também aquelas que têm intervenção junto de populações mais pequenas.
A dirigente bloquista assinalou a “enorme fragilidade” a que estas estruturas são condenadas com os cortes nos apoios, já que durante os dois anos de pandemia as artes ficaram sem poder trabalhar e as suas folgas orçamentais acabaram.
Catarina explicou que “cortar o apoio significa que as estruturas perdem também os apoios das autarquias” e que a “decisão errada do Ministério da Cultura” terá consequências desastrosas. Em causa está, inclusive, “o fim de estruturas fundamentais no acesso à Cultura”. “O risco de algumas estruturas fecharem portas é imediato, porque o Ministério nega o que precisam para negociar com as autarquias”, frisou a coordenadora do Bloco.
Acresce que paira uma ameaça sobre “largas dezenas de postos de trabalho em todo o pais” e que os cortes nos apoios também se traduzirão na falta de capacidade das autarquias, e de setores como a Educação, para desenvolverem projetos artísticos que dependiam destas estruturas artísticas.
A coordenadora do Bloco referiu ainda ser “incompreensível que o ministro não tenha ouvido estas estruturas”.
Sobre a existência de verbas para resolver este problema, Catarina lembrou que “menos de 5% da folga que o Governo já anunciou que tem chegava para apoiar todas estas estruturas”.
O Bloco viu aprovado um requerimento para a audição do ministro da Cultura, mas o governante diz que só irá ao Parlamento no âmbito de uma audição regimental. A dirigente bloquista critica esta escolha, questionando se Pedro Adão e Silva está à espera que as estruturas desapareçam, para que depois não haja nada a fazer.
Estiveram presentes no encontro desta segunda-feira Cucha Carvalheiro, Ana Luísa Fernandes (Jangada Teatro), Teresa Mello Sampayo e Inês Costa (A Barraca), Susana Otero (Balet contemporâneo do Norte), Helena Menino (Companhia Clara Andermatt), Pedro Barateiro e Pedro Gomes (Associação de Artistas Visuais em Portugal), Inês Soares (Associação Pobo), Sophia Neuparth e Margarida Agostinho (CEM), Ivo Alexandre e Anabela Faustino (Ninguém- Associação Cultural/2), Susana Domingos Gaspar (Ação Cooperativista), Nuno Eusébio e Sara Barbosa (Cão Danado), Mariana Brandão (Arena Ensemble) e Inês Pires (Teatro Ibérico).