Segundo o presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, as situações de emergência, que têm vindo a ser cada vez mais frequentes desde 2009, agravaram-se nos últimos meses devido aos cortes nos apoios sociais que “vieram condicionar muito os agregados familiares”.
Nos primeiros meses de 2011, os pedidos de ajuda à Cáritas cresceram 40%. Existem, em média, 60 novos casos por mês em cada região.
São cada vez mais frequentes os pedidos de ajuda por parte daqueles que não conseguem pagar os seus medicamentos ou o transporte necessário para ter acesso a cuidados de saúde, assim como cresce o número de estudantes que não conseguem pagar as propinas e solicitam apoio para terminar os seus estudos.
No Porto são, inclusive, frequentes os casos de famílias sem rendimentos suficientes para assegurar a sua alimentação. Daniela Guimarães, técnica de educação social da Caritas Diocesana do Porto, sublinha que existem famílias que não têm dinheiro suficiente para comprar leite para os seus filhos ou assegurar que os mesmos sejam vacinados.
A técnica afirma que “os pedidos são tantos” que tiveram que “criar no final do ano passado um sistema de triagem”. Daniela Guimarães acrescenta ainda que “há todo um conjunto de apoios sociais – RSI, abonos, pensões, acção social escolar – que foram cortados e agora já não chegam para pagar os medicamentos, as rendas e a comida”.