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Médicos Sem Fronteiras: "O mundo está a perder a batalha contra o ébola"

A presidente da ONG foi às Nações Unidas apelar ao envio imediato de apoio internacional para a África Ocidental e denunciar que pouco foi feito para travar a pior epidemia de sempre.
Falta de meios compromete luta contra o ébola na África Ocidental, denunciam Médicos Sem Fronteiras. Foto EC/ECHO/Jean-Louis Mosser

Numa sessão extraordinária da ONU realizada em Nova Iorque, a presidente dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou a inação da comunidade internacional face à epidemia de ébola que continua a alastrar na África Ocidental. Para Joanne Liu, a única forma de travar a epidemia passa pelo envio imediato de recursos médicos civis e militares por parte dos países que dispõem de capacidade de resposta a catástrofes de origem biológica.

"Seis meses passados desde o seu início, o mundo está perder a batalha contra a pior epidemia de ébola da história", afirmou a líder dos MSF, denunciando que nem após o alerta dado pela Organização Mundial de Saúde, a 8 de agosto, a situação se alterou. "Os Estados juntaram-se numa espécie de coligação mundial da inação", denunciou Joanne Liu.

"Seis meses passados desde o seu início, o mundo está perder a batalha contra a pior epidemia de ébola da história", afirmou a líder dos MSF, denunciando que nem após o alerta dado pela Organização Mundial de Saúde, a 8 de agosto, a situação se alterou. "Os Estados juntaram-se numa espécie de coligação mundial da inação", denunciou Joanne Liu.

A médica que dirige a ONG denuncia que os países que dispoem da capacidade de resposta a catástrofes biológicas não se podem contentar a responder às eventuais chegadas de infetados pelo ébola aos seus países, mas "aproveitar a oportunidade de intervir lá onde é necessário: na África Ocidental", onde faltam laboratórios móveis, centros de tratamento, pontes aéreas entre as regiões mais afetadas e uma rede regional de centros de tratamento para tratar dos casos suspeitos e confirmados desta doença.

Só na Monróvia, capital da Libéria, são necessárias mais 860 camas para dar resposta às necessidades. "Todos os dias temos de recusar doentes porque o nosso centro está cheio", afirmou Stefan Liljeren, coordenador de um dos centros de tratamento. As estruturas de isolamento são outra necessidade urgente já que pelo menos 150 membros das equipas médicas já morreram por causa do vírus e muitos outros têm medo de voltar ao trabalho, afirmam os MSF em comunicado.

O colapso do sistema de saúde na Libéria é outro dos obstáculos ao combate ao vírus, bem como a abordagem repressiva que tem levado muitos infetados a não recorrerem aos serviços de saúde. Neste momento decorre uma greve de enfermeiros por melhores salários e equipamentos mais eficazes de proteção contra o ébola.

"O tempo de reuniões e planificação já passou e agora é tempo de agir. Cada dia de inação causará mais mortes e o lento afundamento dos países afetados", concluiu a presidente da organização que trabalha atualmente contra o ébola na Guiné Conakry, Libéria, Seera Leoa e Nigéria. Desde março, os centros dos MSF receberam 2077 casos, metade dos quais confirmados com o vírus, tendo tratado com sucesso 241 pessoas".

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