"A medicina do trabalho é uma fraude. Toda cheia de boas intenções, mas a grande maioria das empresas de medicina do trabalho não tem autonomia em relação à entidade patronal". As palavras são de José Manuel Boavida, médico e presidente da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal.
Em declarações à agência Lusa, Boavida assume que ainda há muito estigma em relação às doenças e que nem sempre a medicina do trabalho é uma garantia de proteção dos trabalhadores.
Lembrando que é atualmente "um negócio de milhões", o médico diz que a maioria das empresas de medicina do trabalho não tem autonomia em relação à entidade patronal. José Manuel Boavida considera que a nacionalização seria uma medida que poderia tornar a medicina do trabalho "autónoma", considerando que as empresas deviam "pagar a uma medicina do trabalho pública", para que fosse o garante da proteção dos trabalhadores.
A própria Sociedade Portuguesa de Medicina do Trabalho, na pessoa de Jorge Barroso Dias, seu presidente, assume que “muitas vezes há conflitos com a medicina do trabalho e o empregador não gosta de receber uma ficha com restrições”.
José Manuel Boavida também identifica este problema nos milhares de doentes crónicos que já seguiu: "Quando se tenta que a medicina do trabalho imponha condições para ajudar as pessoas, o que nos é respondido é que isso se pode voltar contra os próprios trabalhadores".
O especialista em diabetes conhece bem este panorama da pressão sobre os trabalhadores, que leva doentes crónicos como os diabéticos "a tentar esconder a sua doença" no mundo laboral, também com receio do estigma e da discriminação.