Media denunciam relação entre Kadhafi e governos britânico e norte-americano

03 de setembro 2011 - 15:45

O Wall Street Journal e o The Independent divulgam o conteúdo de documentos encontrados em Tripoli que comprovam a forte relação entre Muammar Kadhafi, os EUA, o Reino Unido e a União Europeia e a troca de “favores” entre os mesmos.

PARTILHAR
O arquivo recuperado demonstra a estreita colaboração entre o regime de Kadhafi e a CIA, os serviços de espionagem britânicos M16 e a União Europeia.

Segundo os documentos citados, que terão sido encontrados pela organização Human Rights Watch (HRW) em gabinetes privados de Moussa Koussa, o braço direito de Muammar Kadhafi, chefe dos serviços de inteligência da Líbia entre 1994 e 2009 e depois ministro de Relações Exteriores, existiu uma estreita colaboração entre a CIA, os serviços de espionagem britânicos M16 e a União Europeia, e o regime de Kadhafi.

O arquivo recuperado, no qual se encontram, entre outros, cartas e faxes trocados entre os serviços líbios e as diferentes organizações, atesta que os serviços de espionagem britânicos M16 entregaram ao ditador líbio informações sobre pessoas que se opunham ao seu regime.

Os documentos comprovam também que a União Europeia e o Reino Unido terão actuado em nome da Líbia nas negociações deste país com a Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA) no sentido do seu desarmamento e que, sob a administração do ex-presidente George W. Bush, a CIA entregou suspeitos de terrorismo ao regime do coronel Kadhafi para que este procedesse a interrogatórios brutais, durante os quais os serviços líbios colocariam questões sugeridas pela administração norte-americana.

O braço direito de Muammar Kadhafi, Moussa Koussa, viajou para o reino Unido logo após o início do conflito na Líbia e, apesar de terem existido vários pedidos para que este fosse interrogado pela polícia sobre o seu suposto envolvimento em assassinatos no exterior pelo regime líbio, David Cameron autorizou a sua saída do país.

Termos relacionados: Internacional