Segundo os documentos citados, que terão sido encontrados pela organização Human Rights Watch (HRW) em gabinetes privados de Moussa Koussa, o braço direito de Muammar Kadhafi, chefe dos serviços de inteligência da Líbia entre 1994 e 2009 e depois ministro de Relações Exteriores, existiu uma estreita colaboração entre a CIA, os serviços de espionagem britânicos M16 e a União Europeia, e o regime de Kadhafi.
O arquivo recuperado, no qual se encontram, entre outros, cartas e faxes trocados entre os serviços líbios e as diferentes organizações, atesta que os serviços de espionagem britânicos M16 entregaram ao ditador líbio informações sobre pessoas que se opunham ao seu regime.
Os documentos comprovam também que a União Europeia e o Reino Unido terão actuado em nome da Líbia nas negociações deste país com a Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA) no sentido do seu desarmamento e que, sob a administração do ex-presidente George W. Bush, a CIA entregou suspeitos de terrorismo ao regime do coronel Kadhafi para que este procedesse a interrogatórios brutais, durante os quais os serviços líbios colocariam questões sugeridas pela administração norte-americana.
O braço direito de Muammar Kadhafi, Moussa Koussa, viajou para o reino Unido logo após o início do conflito na Líbia e, apesar de terem existido vários pedidos para que este fosse interrogado pela polícia sobre o seu suposto envolvimento em assassinatos no exterior pelo regime líbio, David Cameron autorizou a sua saída do país.