Está aqui

Marisa pede controlo público do SIRESP, que não pode continuar a falhar

Para Marisa Matias, se a gestão das comunicações não funciona isso “mostra que não estamos preparados” para novos incêndios e que “não aprendemos com os erros”. Mais recursos, mais investimento e fiscalização de apoios também identificados como fundamentais.
Marisa Matias em visita aos Bombeiros Voluntários de Monchique. Foto de Paula Nunes.

Em visita ao concelho de Monchique, Marisa Matias disse que medidas que estão a ser tomadas para evitar novos incêndios não são suficientes e que “não aprendemos todas as lições” para um problema onde respostas não são apenas nacionais mas também europeias.

A candidata bloquista afirmou que, no contexto atual “é possível identificar vários problemas que têm de ser combatidos, nomeadamente a questão das comunicações que não funcionam, os apoios que não são fiscalizados e que é necessário fiscalizar, e a insuficiência dos apoios”, lamentando que muitas das pessoas vítimas dos incêndios em Monchique acabaram por não ter apoios devido a questões de natureza burocrática, em muitos dos casos, e salientando que, no caso particular daqueles incêndios, não se tratou tão pouco de uma falha do sistema de comunicações mas de “uma ausência total de comunicação”. “As questões das comunicações não podem falhar e em Portugal nós não temos memória, infelizmente, de nenhuma tragédia em que o SIRESP não tenha falhado, e isso significa que aí também é preciso tomar medidas, nomeadamente no que diz respeito a termos um controlo público desse sistema de comunicação”, defendeu.

Marisa Matias esclareceu que com recursos limitados, como os que dispõem os Bombeiros Voluntários de Monchique, que visitou durante a tarde deste segundo dia de campanha, “não conseguimos fazer milagres” e que são precisos recursos, investimento e “do ponto de vista europeu, uma melhor articulação de forma a termos políticas mais solidárias e que respondam, de facto, aquilo que é uma necessidade de segurança das populações”. Segundo Marisa, com “o Mecanismo Europeu de Proteção Civil poderá haver melhorias do ponto de vista da articulação das comunicações, da utilização de recursos partilhados, recursos próprios que possam ser enviados para os locais onde são necessários mas a verdade é que a nível nacional esse problema está por resolver”.

No que diz respeito à política para a floresta, diz que é preciso fazer diferente e distinguir entre o que é ter uma floresta sustentável ou estável e uma floresta financeirizada, área em que a nível nacional já “foi possível avançar com algumas medidas para uma política florestal que aponte mais para uma floresta estável” mas que no quadro europeu, “infelizmente, têm avançado mais propostas que apoiam a floresta financeirizada, ou seja, a floresta para produção e geração de lucro e não a floresta para aquilo que é uma das suas principais funções que é a de manutenção da biodiversidade”.

Na opinião de Marisa Matias, incêndios trágicos ou outros fenómenos trágicos como aqueles a que temos assistido, “enquadram-se claramente naquilo que é a consequência das alterações climáticas” pelo que é preciso trabalhar não apenas na resposta à urgência mas também na prevenção e combate a estes fenómenos extremos.

 

Termos relacionados Europeias 2019, Política
(...)