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Marisa critica presença de Costa no comício da direita liberal em França

"O PS defende aqui o acordo à esquerda, mas, a nível europeu, normalmente não faz alianças com a esquerda", assinalou Marisa Matias, criticando o facto de António Costa participar no sábado num comício de Macron no qual estará presente o presidente do grupo da direita liberal, que, inclusive, votou a favor das sanções a Portugal.
Marisa Matias durante o debate na RTP3 com Pedro Marques, candidato do Partido Socialista (PS) às eleições europeias.
Marisa Matias durante o debate na RTP3 com Pedro Marques, candidato do Partido Socialista (PS) às eleições europeias.

Durante o debate na RTP3 com Pedro Marques, candidato do Partido Socialista (PS) às eleições europeias, Marisa Matias defendeu que, para aproximar os europeus das eleições europeus, é preciso ter instituições europeias que respondam aos problemas concretos da vida das pessoas.

“O que as pessoas percebem, principalmente depois da crise financeira, da crise económica, é que nunca faltaram recursos para o resgate da banca e para os serviços do setor financeiro, mas faltaram recursos para as necessidades das pessoas que não foram responsáveis pela crise, mas acabaram por ser responsabilizadas, com cortes nos salários, nas pensões”, avançou a eurodeputada.

De acordo com Marisa Matias, “o que as pessoas veem de Bruxelas é uma mão muito forte para quem é mais fraco”.

“Sentimos isso particularmente durante os anos da troika e do governo PSD/CDS, que quiseram ir além da troika”, assinalou.

“O PS que está em Portugal não é o PS que está no Parlamento Europeu”

A eurodeputada realçou que o acordo à esquerda permitiu implementar medidas para recuperar os rendimentos. Lembrando que a Comissão Europeia se opôs à subida do salário mínimo e que chegou a existir ameaças aquando da aprovação do primeiro orçamento da nova solução governativa, Marisa Matias afirmou que, para aumentarmos salários e pensões, tivemos de enfrentar as instituições europeias e que isso “aconteceu porque o comportamento do PS foi condicionado pela esquerda”. “É matéria de facto”, frisou.

A candidata bloquista destacou ainda que “o PS que está em Portugal não é o PS que está no Parlamento Europeu. Aqui é condicionado à esquerda”.

“O PS defende aqui a gerigonça, mas a nível europeu geralmente não faz alianças com a esquerda”, assinalou Marisa Matias, criticando também o facto de António Costa ir participar no sábado num comício de Macron no qual estarão presentes o presidente do grupo da direita liberal, que, inclusive, votou a favor das sanções a Portugal, e ex-primeiro ministros da direita.

"Não referendámos um único tratado em Portugal"

Marisa Matias referiu que “somos um dos países da União Europeia onde menos se consultaram os cidadãos sobre qualquer uma das fases do processo de integração”. “Isso é errado. Não conseguimos aproximar as pessoas de nenhuma política se as pessoas não souberem de que é que estamos a falar e o que estamos a discutir”, avançou.

O PS tem faltado a esse compromisso, lamentou Marisa Matias, sinalizando que as pessoas têm de poder ter voz e ser envolvidas.

“Não referendámos um único tratado em Portugal”, destacou a eurodeputada, frisando que estão em causa tratados que vão mudar as nossas vidas. Marisa Matias recordou a promessa de José Sócrates de referendar o Tratado de Lisboa, que foi abandonada assim que o processo começou a correr mal noutros países.

“Os governos sucessivos, e também os governos do PS, retiraram às pessoas a possibilidade de se pronunciarem em todas as fases de integração fundamentais da União Europeia”, apontou a candidata do Bloco.

Base de desacordo passa pela política europeia

Marisa Matias recordou algumas declarações de António Costa com as quais o Bloco concorda em absoluto:

  • que o euro foi o melhor bónus que a União Europeia deu à Alemanha;
  • que o Tratado Orçamental é estúpido;
  • que Cimeira dos Refugiados, que houve em junho e durante a qual se criaram os campos para refugiados, foi a pior reunião da sua vida;
  • que a dívida era insustentável.

A eurodeputada expôs, uma a uma, as incoerências do PS sobre estas matérias.

António Costa defendeu que o euro foi o melhor bónus que a União Europeia deu à Alemanha mas o PS não apresentou nenhuma medida para “colmatar a desigualdade que é gerada pela própria moeda porque ela foi, de facto, um excelente serviço à Alemanha”.

O primeiro-ministro acha o Tratado Orçamental estúpido, contudo, Portugal foi o primeiro a aprová-lo e “nada foi feito para dizermos que não podemos continuar sujeitos aos limites impostos pelo Tratado Orçamental, nomeadamente no quadro do Eurogrupo”.

Já no que respeita à Cimeira dos Refugiados, Marisa Matias lembrou que o PS “votou favoravelmente à criação dos campos, e que, nomeadamente tinha aprovado o acordo com a Turquia, que é uma vergonha do ponto de vista dos direitos humanos”.

António Costa considerava que a dívida era insustentável e até criou um grupo de trabalho com o Bloco de Esquerda para tratar exatamente da questão da dívida, mas nada foi feito sobre a matéria.

O combate ao populismo e extrema-direita

"Todas as formas de combate ao populismo e extrema-direita são necessárias. Mas Durão Barroso, que foi responsável pelo resgate ao sistema bancário, acabou a trabalhar na Goldman Sachs. Isto só alimenta o populismo", alertou Marisa Matias.

A eurodeputada acrescentou que a ausência de repostas aos problemas de pessoas por parte das instituições europeias, a política de austeridade que leva as pessoas a pensarem que não têm futuro e o facto de esta União ter duas caras consoante as matérias em causa contribuem para o aumento do populismo e da extrema-direita.

No final do debate, Marisa Matias vincou que os Fundos Europeus têm de ser utilizados para criar maior convergência e coesão e para compensar os desequilíbrios que o mercado interno gera, lamentando que, governo após governo, tenhamos aceitado cortes nos fundos de coesão.

Por outro lado, a eurodeputada criticou o facto de os fundos serem maioritariamente canalizados para Lisboa e Porto, esquecendo o interior.

“Portugal não pode ser um país sempre inclinado para o litoral”, rematou.

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