Naquilo que começa por definir como uma “não mensagem de ano novo”, a coordenadora do Bloco de Esquerda reitera como objetivo eleitoral que “a direita continue em minoria”.
Leia a mensagem na íntegra:
Olá.
Esta não é uma mensagem de ano novo.
Esta mensagem é sobre os primeiros setenta dias do ano novo, até às eleições. São os setenta dias que cada pessoa tem para decidir para onde vai Portugal.
Está muita coisa em jogo. O plano da direita é retroceder até 2015. Foi o último ano de Passos Coelho como primeiro-ministro. Montenegro era a sua voz no parlamento. Ventura era seu discípulo. O CDS existia e muitos dos agora liberais ainda andavam por lá. Estavam todos juntos e agora querem juntar-se de novo, no governo, depois das eleições. O problema deles é que a maioria do povo não esqueceu e não perdoou a austeridade, o empobrecimento, o ataque às pensões, as ordens para emigrarmos. E não esquecemos aqueles governantes que foram logo depois sentar-se às mesa das empresas a quem venderam a energia e os aeroportos.
Não os esquecemos e por isso sei que os desejos da direita para 2024 não se vão concretizar. Esse é mesmo o primeiro objetivo do Bloco para as eleições: que a direita continue em minoria. Não depende só do Bloco, mas nós cumpriremos a nossa parte e cada deputado e deputada eleita pelo Bloco de Esquerda contará para isso.
Mas sabemos que nenhuma maioria é estável como mero somatório de deputados. Uma maioria tem que ser um programa para Portugal e um governo que dê a certeza de o aplicar. É com essa responsabilidade que vejo os primeiros setenta dias de 2024 e a construção da vitória contra a direita a 10 de março.
Nestes setenta dias mostraremos que a esquerda sabe o que quer e aponta o que é inaceitável. Inaceitável é a corrupção, as negociatas com aquilo que é de todos, ou o que que a maioria absoluta do PS fez na saúde, na habitação, na educação. Há muita gente desiludida, é uma maioria zangada e ainda indecisa. Falo para essas pessoas que também sabem, por experiência, que a direita não merece o benefício da dúvida; falo ao povo que exige respeito, consideração pelos de baixo, por quem trabalha e por quem paga impostos - garanto-vos que contam com o Bloco de Esquerda. Nestes setenta dias seremos a garantia de que se fará o que nunca foi feito - subir salários, empregos para o clima, salvar o SNS e cuidar da escola pública, baixar o preço das casas. É essa a luta do Bloco de Esquerda pela vida boa: pela garantia do que é essencial.
O Bloco vai promover a confluência de toda a força necessária para esta viragem no país. Pela minha parte, aproveitarei este tempo para abrir caminhos de diálogo, de clareza, de mobilização. É essa confiança que juntará os votos para vencer. 2024 tem setenta dias - e depois todos os outros.
Bom ano!