Faleceu esta terça-feira Maria Luís Roldão Brites Bustorff, mais conhecida como Maria Luís Brites, aos 88 anos, após uma longa vida de ação cívica e política.
Licenciada em Filologia Germânica em Coimbra, foi professora durante mais de quatro décadas e trabalhou como tradutora de romances na Livraria Civilização, colaboradora e autora de obras didáticas para o ensino do Inglês e do Alemão, para a Porto Editora e colunista de opinião sobre temas ligados ao ensino no Jornal de Notícias, Comércio do Porto e a revista Verbo. Foi ainda autora de vários livros como "Um saco de diabelha", "A cigarra e o mar - poesia", "Marédelua, Um triângulo no litoral - saga do vidro", "Alcunhas, histórias e apontamentos sobre o quotidiano de Pombal durante o século XX", "O Serafim Único, amado predador da democracia", "O comandante da bruma - novela açoriana", "Ali nunca acontecia nada - contos", "Pelos trilhos da droga - contos", "Na terra da Meia-Vaca, Avatares à solta", e "Vidas em chamas".
O ativismo político levou-a à militância no PCP em 1974, onde privou com Álvaro Cunhal, tornando-se a primeira mulher candidata à autarquia de Pombal, como recordou em entrevista ao podcast "Memórias da Revolução de Abril" do jornal Região de Leiria. Dois anos depois entrou em rotura com o partido e aderiu ao Bloco de Esquerda em 2000, logo após a fundação, sendo candidata às Câmaras de Pombal e Leiria. Mais recentemente, nas eleições autárquicas de 2017, foi mandatária da candidatura do partido.
"Figura rebelde com uma causa, fez campanhas eleitorais sozinha, pintou murais do Bloco de que há ainda vestígios em Pombal e marcou com a sua irreverência e sentido de humor a vida política da cidade", destaca a concelhia do Bloco.
Dotada de uma extraordinária energia, sentido de justiça e firmeza de convicções, dedicou-se à causa pública e à defesa da liberdade de expressão. Na sua obra, destaca-se a denúncia das desigualdades, da opressão sobre mulheres. Além da uma considerável obra publicada, Maria Luís Brites deixou muitos inéditos e manifestou, nos últimos anos, vontade de ver esse espólio preservado pela autarquia.
Em 2014, foi distinguida pelo município com Medalha de Mérito Cultural (grau prata) e a Câmara Municipal de Pombal manifestou o seu pesar pelo falecimento de “uma cidadã absolutamente singular” e “irreverente, mas sempre defensora da preservação da liberdade de expressão e da igualdade”, nas palavras do presidente da autarquia, Pedro Pimpão, na reunião da Assembleia Municipal dest semana.
O Bloco de Esquerda e o Esquerda.net endereçam as suas sentidas condolências aos familiares e amigos de Maria Luís Brites.