O Dia Internacional da Mulher voltou a juntar ativistas feministas numa manifestação conjunta em Lisboa de perfil combativo face ao “alastramento das ideias e dos poderes fascistas por todo o mundo” que promovem a violência machista, a transfobia, a lesbofobia e o racismo.
Feminismo
O ano em que ficámos presas nas redes dos senhores da guerra
Anita Fuentes
A convocatória da Plataforma Feminista juntou 67 associações e coletivos e milhares de pessoas que desceram a Avenida da Liberdade na tarde de domingo sob o lema “Enfrentamos o fascismo, exigimos avançar!”.
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O Bloco de Esquerda participou com um cortejo próprio e José Manuel Pureza sublinhou aos jornalistas que “os direitos das mulheres são uma das causas essenciais da democracia” e que a sociedade deve às lutas das mulheres “muitas conquistas a favor da decência e da justiça”.
Conquistas que estão a começar a ser postas em causa, prosseguiu Pureza, pelo “crescimento da extrema-direita e de uma direita cada vez mais radicalizada” também em Portugal, com uma “propensão grande por parte deste Governo de fazer um alinhamento cada vez maior com a agenda da extrema-direita. O coordenador bloquista diz que esse alinhamento “está a começar em outros domínios em que está em causa a identidade e o corpo”, como as recentes iniciativas do PSD e Chega para revogar a lei de identidade de género.
Questionado pelos jornalistas sobre a aparente contradição do crescimento da extrema-direita com a subida do país no ranking da igualdade, Pureza respondeu que “quanto mais igualdade houver entre homens e mulheres mais isso irrita a extrema-direita. Ela sempre teve em Portugal e no resto do mundo como principal alvo os direitos das mulheres”.
Ao longo da tarde de domingo realizaram-se concentrações e marchas em várias cidades portuguesas. Também no Porto, a adesão à marcha convocada por vários coletivos feministas superou a de anos anteriores. A marcha “contra o patriarcado, o capitalismo, o racismo e todas as formas de opressão” juntou mais de mil pessoas no cortejo entre a Praça dos Poveiros e a Praça D. João I, onde foi lido o manifesto da iniciativa.