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Manuel Vicente tenta afastar-se da empresa que pagava ao procurador

Num comunicado divulgado esta quarta-feira, Manuel Vicente diz que a empresa que é apontada como estando na origem de pagamentos ao procurador português nunca foi subsidiária da Sonangol. O esquerda.net divulga vários registos que confirmam essa ligação da Primagest à petrolífera que Vicente liderava quando foi investigado em Portugal.
Manuel Vicente. Foto MONUSCO/Flickr

“Na verdade, sou completamente alheio, nomeadamente, à contratação de um magistrado do Ministério Público português para funções no sector privado, bem como a qualquer pagamento de que se diz ter beneficiado, conforme relatos da comunicação social, alegadamente por uma sociedade com a qual eu não tinha nenhuma espécie de relação, e que não era nem nunca foi subsidiária da Sonangol”, refere Manuel Vicente no comunicado enviado às redações. Mas as declarações do vice-presidente de Angola são desmentidas pela agência Bloomberg, que regista a empresa justamente como subsidiária da Sonangol.

As referências públicas à Primagest enquanto entidade detida maioritariamente pela Sonangol – a petrolífera angolana presidida por Manuel Vicente quando o procurador Orlando Figueira arquivou as investigações que era alvo – surgiram na imprensa em 2011 a propósito da aquisição de metade do capital da COBA, uma das maiores empresas portuguesas de projetos de engenharia com forte presença internacional.

O consórcio contava também com o ex-primeiro-ministro angolano Lopo do Nascimento, que preside ainda ao Conselho de Administração da COBA. Na comemoração dos 50 anos da empresa, em 2012, o seu antigo presidente Ricardo Oliveira discursou ao lado de Lopo do Nascimento e Assunção Cristas, referindo os novos donos da empresa como “um prestigiado grupo angolano, liderado pela Sonangol”.

Um ano antes, Ricardo Oliveira explicou ao Público a estrutura acionista do consórcio que adquiriu uma posição qualificada na COBA: "Já referi que o líder do consórcio é a Sonangol, e o líder da Sonangol é o engenheiro Manuel Vicente. Ao ser o líder tem a maioria do capital".

A designação da Primagest como empresa subsidiária da Sonangol aparece também na prestigiada revista britânica  “Legal Business” em 2011, desmentindo novamente a versão agora apresentada por Manuel Vicente de que não existe relação entre as duas empresas.

Segundo revela a imprensa, a Primagest depositou 300 mil euros em várias tranches na conta de Orlando Figueira, uma delas no próprio dia em que o procurador arquivou a investigação a Manuel Vicente por branqueamento de capitais, alegando "ausência de provas"

No comunicado divulgado esta quarta-feira, o agora vice-presidente angolano diz estar disponível a prestar todos os esclarecimentos, mas não diz se está disposto a vir a Portugal e sujeitar-se a ser constituído arguido no processo que já colocou Orlando Figueira em prisão preventiva.

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