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Manifesto da Emergência Climática lançado em Estrasburgo

A eurodeputada Marisa Matias participou na apresentação do Manifesto da Emergência Climática, um documento do GUE/NGL com os compromissos desta bancada da esquerda no Parlamento Europeu.

“Há muitos anos que lutamos por uma política verdadeiramente de combate às alterações climáticas. É tarde, mas nós mantemos o nosso compromisso”, afirmou Marisa Matias na sessão de apresentação do Manifesto da Emergência Climática. A eurodeputada bloquista sublinhou que “uma política para a justiça climática é uma política para a justiça social, porque as populações mais pobres são muito mais afetadas pelas alterações climáticas”.

“Temos a obrigação de cuidar do futuro. Fazer justiça climática é ter um programa de mobilidade, energético, de não exploração de recursos que permita que tenhamos um futuro”, conclui Marisa Matias na sessão em Estrasburgo onde também intervieram parlamentares do Podemos, Izquierda Unida, Die Linke, Sinn Fein, Syriza, do italiano L’Altra Europa e do SP e Partido pelos Animais, ambos da Holanda.

“A ação climática é a prioridade número um do GUE/NGL. Não a encaramos como uma luta separada; ela inclui lutas por empregos decentes, melhores níveis de vida e igualdade racial e de género”, afirma o documento na sua introdução, concluindo que “é preciso premir o botão de pânico para declarar a emergência climática” desde já. O manifesto defende que a União Europeia deve antecipar a meta da neutralidade carbónica para 2040, com uma aposta nas energias renováveis e o abandono dos combustíveis fósseis, incluindo o gás, em 2030. Também os biocombustíveis e o nuclear devem ser abandonados rapidamente, dando prioridade ao clima em relação ao mercado livre, com o “fim da agenda liberalizadora da UE para a energia” ou a alteração radical da política comercial e de investimento da UE, por exemplo subordinando os acordos comerciais à ratificação e implementação do Acordo de Paris.

O manifesto denuncia ainda as “respostas falsas às alterações climáticas” que são dadas por mecanismos como os dos créditos de carbono que mais não são do que “um direito a poluir”. O princípio do poluidor-pagador deve ser aplicado de forma a que as indústrias sujas não externalizem os seus custos para a sociedade e o ambiente. O documento defende igualmente que essas indústrias, hoje um dos lóbis mais poderosos nos corredores do poder em Bruxelas, devem ser afastadas do processo de decisão política.

O aumento do investimento público nas energias renováveis e a criação de um Fundo de Transição Justa para criar “empregos verdes” nas regiões mais afetadas por esta transição para energias limpas e um Plano de Investimento Verde para colmatar o défice ecológico são outras das propostas avançadas pelo grupo mais à esquerda no Parlamento Europeu.

Ler Manifesto da Emergência Climática

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