Manifestações marcam greve em Lisboa

22 de março 2012 - 19:48

Arménio Carlos convoca greve de duas horas dos trabalhadores do poder local no dia 12 de abril. Polícia agride manifestantes e jornalistas no Chiado.

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Manifestações contestaram governo da troika. Foto de Paulete Matos

A greve geral em Lisboa foi marcada por diversas manifestações que partiram de diferentes locais e terminaram diante da Assembleia da República. A manifestação convocada pela CGTP saiu do Rossio às 14 horas em direção a S. Bento, com a participação de um cortejo de alguns movimentos sociais, entre eles os Precários Inflexíveis.

No final da manifestação, Arménio Carlos anunciou uma greve de duas horas dos trabalhadores do poder local no dia 12 de abril: “Apoiamos a luta contra o fecho das freguesias, do serviço ao público de proximidade”, disse.

O sindicalista disse que durante a greve geral houve manifestações em 35 localidades do país, e que a greve teve grandes adesões: “Estamos a incomodar os poderes instituídos e a pôr o dedo na ferida. Estão a passar para a discussão e para as calúnias, mas não entramos nesse jogo baixo”, disse.

Incidente em frente à Assembleia da República

À chegada da manifestação a S. Bento, o serviço de segurança da CGTP criou um incidente com o cortejo dos movimentos sociais. A intervenção de dirigentes sindicais parou a violência e, mais tarde, Arménio Carlos, em contacto com os Precários Inflexíveis, lamentou o sucedido. Um ativista dos PI teve de receber assistência médica em consequência das agressões.

Plataforma 15 de Outubro

Cerca das 13 horas, um grupo de jovens, seguindo o apelo “Greve geral: ocupar as ruas, bloquear tudo”, concentrou-se no Saldanha e seguiu depois em manifestação até ao Rossio. Ao passarem diante de algumas agências bancárias, e nomeadamente da sede do Banco de Portugal, atiraram ovos contra as instituições.

Já no Rossio, a Plataforma 15 de Outubro tinha convocado, por sua vez, uma manifestação que, junto com os manifestantes que tinham vindo do Saldanha, se deslocou para a Assembleia da República.

Manifestantes e jornalistas agredidos pela polícia

Ao passar pelo Chiado, a cauda da manifestação foi atacada pela polícia, que agrediu manifestantes e jornalistas. O fotojornalista da agência Lusa José Sena Goulão, que se encontrava no local a fazer a cobertura do acontecimento, foi agredido por um agente da PSP. Já no chão, o repórter identificou-se como jornalista e continuou a ser agredido, tendo precisado de assistência hospitalar.

A fotojornalista Patrícia Melo, a agência France Presse, foi igualmente agredida. A agressão foi captada por uma fotografia da agência Reuters. Outros manifestantes ficaram também feridos.

Apesar do incidente, a manifestação seguiu até S. Bento, onde entretanto a manifestação da CGTP já tinha dispersado. Os manifestantes realizaram então uma assembleia popular.