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"Mais do que anúncios, são necessárias medidas concretas" para recuperar aprendizagens

Em Évora, na apresentação da candidatura autárquica do Bloco, Catarina Martins afirmou que “se nós queremos recuperar a aprendizagem, a primeira coisa que temos de garantir é que o verão é um espaço de ar livre, um espaço de segurança, um espaço fora das quatro paredes de casa e do ecrã”.
Foto de Andreia Quartau

Catarina Martins esteve esta terça-feira em Évora na apresentação da candidatura do Bloco de Esquerda às autárquicas, encabeçada por Raúl Rasga à Câmara Municipal e Bruno Martins à Assembleia Municipal. 

Poucas horas antes, o Governo apresentou o seu Plano de Recuperação de Aprendizagens. A coordenadora do Bloco referiu que “no dia de hoje, quando o Governo nos apresenta um plano prometendo mais meios, mais dinheiro, mais recursos para as escolas, e seguramente que precisam, temos que perguntar-nos se estes três mil professores a mais são os que foram anunciados no início do ano letivo e que ainda não chegaram às escolas”.

“Temos que perguntar-nos se a três meses do ano letivo este anúncio terá algum impacto concreto”, afirmou Catarina Martins, lembrando que as escolas não tiveram um reforço de meios durante todo este tempo.

A coordenadora bloquista considera que “mais do que anúncios, é tempo de respondermos à vida das crianças, dos jovens, das escolas com medidas concretas”.

O Bloco já pediu a contratação antecipada de mais trabalhadores para as escolas, pessoal docente e não docente, e Catarina sublinhou que “é preciso estabilizar os trabalhadores das escolas”.

Bloco quer um reforço das férias escolares durante este verão

Catarina Martins falou sobre uma das propostas do Bloco para esta área: “Nós sabemos que mais de metade das famílias já disse que não vai fazer férias este verão e é fácil perceber porquê. Com a crise, as famílias não têm recursos para fazer férias, mas também houve trabalhadores que tiveram que gozar as suas durante o confinamento”, disse.

“Se nada for feito, a generalidade das crianças e dos jovens deste país podem estar condenadas a passar um verão entre paredes e com um ecrã. Mas se nós queremos recuperar a aprendizagem, a primeira coisa que temos de garantir é que o verão é um espaço de ar livre, um espaço de segurança, um espaço fora das quatro paredes de casa e do ecrã”, apontou a dirigente do Bloco.

Para isso, “as autarquias têm um papel fundamental, a conseguir já com as associações, coletividades e instituições de cultura e desporto de cada concelho férias escolares, propostas entusiasmantes com toda a segurança que possam ter as crianças e os jovens fora de casa”.

“Sim, esse esforço deve ser apoiado com a solidariedade do Orçamento do Estado. Sim, essa é também a proposta do Bloco de Esquerda”, afirmou.

Para Catarina Martins, um dos principais problemas na crise que estamos a viver “é esta ideia do permanente anúncio sem que a medida tenha concretização”.

“Eu pergunto-me hoje, os professores que estavam a ouvir a apresentação do senhor Ministro da Educação e do Primeiro-ministro terão pensado: mas isto começa quando?”, disse a Coordenadora do Bloco, concluindo que “só garantimos uma política de escola pública e uma resposta à crise com uma esquerda forte”.

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