Mais de 80 mil migrantes atravessaram o Mediterrâneo em 2017

20 de junho 2017 - 22:22

A Agência Internacional para as Migrações das Nações Unidas apresentou um relatório onde se regista, em 2017, um aumento do fluxo de migrantes que tentam chegar a países como Itália, Espanha e Grécia. O número de vítimas mortais pode ultrapassar as duas mil pessoas.

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Migrantes a chegar à ilha de Lesbos num barco vindo da Turquia (Lazar Simeonov).
Migrantes a chegar à ilha de Lesbos num barco vindo da Turquia (Lazar Simeonov).

O porta-voz da Agência Internacional para as Migrações da ONU, Flavio di Giacomo, informou que, pelo menos, mais 4.860 migrantes foram resgatados da costa norte africana desde sexta-feira, sendo que estes números não puderem ser incluídos neste relatório apresentado em Roma.

Flavio di Giacomo aproveitou para relatar vários casos trágicos como o que ocorreu, esta semana, com um bote com 130 migrantes. Proveniente da costa Líbia, esteve à deriva várias horas após “piratas” e “contrabandistas” líbios terem levado o motor do barco, abandonando os migrantes.


Fonte: Organização Internacional para as Migrações

O bote sobrelotado acabou por virar, sendo que um barco de pescadores líbios, que estavam na mesma área, conseguiu salvar quatro sobreviventes (dois sudaneses, dois nigerianos) e levá-los para Itália.

Outro desembarque de sobreviventes na cidade italiana de Reggio Calabria trouxe informações sobre um barco à deriva com aproximadamente 85 homens, mulheres e crianças a bordo, a maioria de nacionalidade síria.

A propósito da celebração do dia internacional dos refugiados, a Esquerda Unitária/Esquerda Verde Nórdica (GUE/NGL) no Parlamento Europeu, onde se integra o Bloco de Esquerda, produziu um filme sobre dois finais muito diferentes para uma família de deslocados, caso a União Europeia tivesse outra política para o refugiados.

 65,5 milhões de pessoas deslocadas em todo o mundo

Estes números de migrantes no Mediterrâneo surgem numa altura em que o o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) apresentou um número recorde de refugiados, requerentes de asilo ou deslocados internos espalhados pelo mundo contabilizando as 65,5 milhões de pessoas em todo o mundo.

Filippo Grandi, Alto Comissário para os rRfugiados, condenou a comunidade internacional que não consegue pôr cobro aos conflitos e guerras em curso, uma das principais razões para o número de deslocados: “Vamos continuar a ver conflitos antigos a arrastarem-se e novos conflitos a sugirem e ambos produzem deslocação... A deslocação forçada é um símbolo das guerras que nunca acabam”, disse.

O Alto Comissário alertou para o impacto desta crise humanitária nos Estados mais pobres do mundo, numa altura em que cerca de 84% dos deslocados estão temporariamente alojados em países de baixos e médios rendimentos. "Como posso pedir aos países com menos recursos, em África, no Médio Oriente e na Ásia, para acolherem milhões de refugiados quando os países mais ricos recusam fazê-lo", questionou.

A guerra na Síria já provocou 5,5 milhões de refugiados para fora das suas fronteiras e mais 6,3 milhões de deslocados internos, a par de 2,5 milhões de refugiados oriundos do Afeganistão e de 1,4 milhões do Sudão do Sul.

A Turquia continua a ser o país que mais refugiados já acolheu, cerca de 2,9 milhões, seguida do Paquistão (1,4 milhões), Líbano (um milhão), Irão (mais de 979 mil), Uganda (quase 941 mil) e Etiópia (quase 792 mil).