Segundo a Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (Fesaht), a greve das trabalhadoras e dos trabalhadores do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) teve adesões superiores a 70% e rondou os 100% na área da alimentação.
Em declarações à Lusa, Francisco Figueiredo, da direção da FESAHT, salientou que em hospitais como o São João (Porto), Pedro Hispano (Matosinhos) e da Universidade de Coimbra apenas estão “a ser assegurados os serviços mínimos aos doentes acamados e aos médicos e enfermeiros que trabalham na urgência”.
O sindicalista sublinha que os salários no SUCH são “muito baixos”, pois “mais de 90% dos trabalhadores” aufere apenas o salário mínimo nacional, e destaca que os elevados níveis de adesão são “demonstrativos do descontentamento que existe no seio dos cerca de 3.500 trabalhadores do SUCH face à atitude da administração do SUCH e do Ministério da Saúde, ao não terem em conta o papel imprescindível que tiveram e continuam a ter no combate à pandemia”.
“Estes trabalhadores sentem-se discriminados em relação aos demais trabalhadores da saúde, na medida em que foram confrontados com as mesmas condições – aumento da carga diária de trabalho, férias adiadas, recusa de dispensas para assistência aos filhos e família, elevados ritmos de trabalho e falta de pessoal, de EPI [equipamentos de proteção individual] e de testes de despistagem –, mas tiveram uma proteção muito mais frágil do que os médicos e enfermeiros”, disse Francisco Figueiredo.
Aumentos salariais de 90 euros e 35 horas semanais
Na manhã desta segunda-feira, 29 de junho, trabalhadoras e trabalhadores do SUCH, para além da greve, concentraram-se no Porto e aprovaram uma moção que lembra que “os trabalhadores do SUCH estiveram na primeira linha nesta fase pandémica ao assegurarem a alimentação” e outros serviços como “lavandaria, manutenção, resíduos hospitalares e limpeza”.
O documento sublinha também que trabalhadoras e trabalhadores do SUCH foram confrontados com “regimes de 12 horas diárias, adiamento das férias, recusa de dispensa ao trabalho para assistência aos filhos, falta de pessoal e ritmos de trabalho intensos, falta de equipamentos de proteção individual e coletiva, falta de testes de despistagem da Covid-19...”
A moção salienta que os trabalhadores são equiparados aos outros profissionais de saúde para “cumprimento de deveres”, mas não para “beneficiar de direitos” e acusam a empresa e o Governo de não os valorizarem.
O documento aprovado na concentração critica a recusa da administração a rever o acordo de empresa e exige a sua negociação imediata.
Como exigências principais, as trabalhadoras e os trabalhadores do SUCH exigem aumentos salariais de 90 euros para todos os trabalhadores, com retroativos a partir de 1 de janeiro de 2020, a redução do horário para 35 horas semanais e o pagamento do subsídio de risco de 7%.
Reivindicam também o aumento da remuneração do trabalho prestado ao sábado e ao domingo com mais um euro por hora e a atualização do subsídio de refeição para 5,10 euros.
Na moção, disponível no site da CGTP, destaca-se ainda a reivindicação de um “complemento de doença e de acidente de trabalho” e a realização de testes de despistagem do covid-19 a todos os trabalhadores.