Mais de 150 subscreveram Manifesto em defesa do Museu da Resistência e Liberdade no Porto

29 de janeiro 2024 - 15:07

O documento insiste na criação de um Museu da Resistência e Liberdade no histórico do edifício onde funcionou a delegação da polícia política (PIDE/DGS) e atual Museu Militar, para que se preserve a memória.

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O edifício da PIDE-DGS é um dos símbolos da repressão do Fascismo na cidade do Porto e em todo o norte do país - Foto de JotaCartas/wikicommons

Apresentado no passado sábado (27 de janeiro), no Largo Soares dos Reis (ao lado da antiga PIDE/DGS), no Porto, o Manifesto reforça mais uma vez a ideia, de acordo com a Resolução aprovada pela Assembleia da República em 19 de julho de 2019, em transformar o atual Museu Militar num “lugar de memória da repressão e da resistência, onde foram interrogados, torturados e presos milhares de democratas do Porto e do Norte do país.”, segundo consta o evento lançado pela Comissão Promotora do Museu da Resistência e Liberdade.

A ideia do novo Museu tem décadas e parece ser incerta a sua criação. Por isso, um grupo de cidadãos da cidade do Porto se juntou para lutarem pela que não se apague a memória “de todos os homens e todas as mulheres que se bateram corajosamente contra a ditadura, pela liberdade e pela democracia.” 

A Comissão Promotora apela ao Governo para que se cumpra essa resolução da Assembleia da República para que se crie no Porto um museu de resistência ao fascismo, tal como já existe em Lisboa (Museu do Aljube - Resistência e Liberdade) e em Peniche (Museu Nacional Resistência e Liberdade). 

Os promotores referem precisamente que estes dois espaços museológicos poderiam estabelecer uma rede com o museu do Porto, que poderia reunir contributos da Câmara Municipal do Porto, “mas também organizações representativas da resistência ao fascismo, como a «União de Resistentes Antifascistas Portugueses» e o Movimento Cívico «Não Apaguem a Memória», centros de investigação, arquivos, bibliotecas e centros de documentação municipais e nacionais (Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Centro Documentação 25 de Abril, de Coimbra, Fundação Mário Soares, etc.), bem como os museus da Resistência e da Liberdade já instalados em Lisboa e em Peniche.”, lê-se no comunicado da Comissão Promotora.

O Manifesto contou com a subscrição de mais de 150 nomes de destaque da cidade do Porto, da região norte e do país e apelam a que se mantenha vivo o debate em torno da criação de um museu da resistência na cidade do Porto, precisamente no ano em que se celebram os 50 anos da Revolução do 25 de Abril. 

José Castro e Luís Monteiro

Resistir à política do esquecimento: pelo Museu da Resistência do Porto

17 de outubro 2020

“No ano em que se comemoram os 50 Anos do 25 de Abril e temos umas eleições legislativas à porta, é crucial a participação cidadã em defesa de mais e novas políticas públicas na área da memória e do património, de forma a que não esqueçamos o que significou meio século de ditadura e os valores de liberdade e democracia que a Revolução de 1974 construiu.”

Segundo avançou o jornal Público, entre os subscritores encontra-se nomes como Siza Vieira, Souto de Moura, Alexandre Alves Costa, Sérgio Fernandez, Aida Rechena, Rita Rato e Luís Farinha. Mas também “inclui ex-presos políticos e familiares, como Jorge Carvalho, Joana Lopes, José Machado Castro e Sérgio Valente, (…) historiadores e investigadores como Fernando Rosas, Irene Flunser Pimentel, Joel Cleto, José Neves, José Pacheco Pereira ou Manuel Loff. A lista de signatários inclui também o capitão de Abril Vasco Lourenço, advogados, investigadores, e figuras das artes e das letras.”