Cerca de 140 mil trabalhadores e trabalhadoras tomaram as ruas de Bruxelas, capital da Bélgica, nesta terça-feira numa das maiores mobilizações laborais da história do país. A paralisação atingiu diversos setores em protesto contra a perda de direitos sociais e a austeridade.
O alvo é a reforma das pensões e do mercado de trabalho, do governo de coligação do primeiro-ministro Bart De Wever, líder do partido conservador nacionalista Nova Aliança Flamenga (N-VA). Organizações alertam que a proposta reduzirá o rendimento de quem se reformar futuramente e trará incertezas no cálculo das pensões estatais.
Entre os pontos da mudança está o aumento da idade de reforma, que atualmente é de 65 anos e chegaria aos 67 até 2030. As regras para quem se aposentar antes da idade também poderão ser revistas, assim como as condições para a pensão mínima, que poderão ser endurecidas.
Garantias sociais históricas também estão sob ameaça, como o subsídio de desemprego por tempo indeterminado, que pode ser limitado a um máximo de 24 meses a partir do ano que vem. Há planos para cortar bónus por trabalho noturno e diminuir a proteção a trabalhadores e trabalhadoras doentes.
A Bélgica é reconhecida como uma das nações com mais garantias sociais e proteção ao bem estar de trabalhadores e trabalhadoras e de forte presença sindical, com altas taxas de sindicalização.
Neste país, a força de trabalho têm direitos assegurados em relação à carga horária, remuneração, segurança social, licenças remuneradas e proteção contra despedimentos injustos que começaram a entrar em prática há quase um século.
A greve geral contra mudanças nesse cenário reuniu algumas das principais entidades representativas de classe do país, como a Federação Geral do Trabalho da Bélgica (FGTB) e a Confederação dos Sindicatos Cristãos (CSC), além de organizações como Greenpeace e Oxfam. Em março, já tinha sido convocada uma greve geral.
Houve registo de violência policial e repressão durante o protesto em Bruxelas. A polícia utilizou canhões de água e gás lacrimogéneo para dispersar a multidão. Segundo a imprensa internacional o número de pessoas detidas pode chegar a 80.
Texto publicado originalmente no Brasil de Fato. Adaptado para português-pt pelo Esquerda.net.