A maioria PSD/CDS rejeitou esta sexta as iniciativas do Bloco de Esquerda, do PCP, dos Verdes e do PS que recomendavam ao governo que não encerrasse a Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa.
A oposição votou unanimemente a favor do projeto apresentado pelo Bloco, que defendia "a manutenção em funcionamento da Maternidade Alfredo da Costa na instalações atuais, a salvaguarda da estabilidade e integridade das suas equipas e a sua transferência para o novo Hospital de Lisboa".
“No campo dos que defendem o encerramento da Maternidade o que temos ouvido são erros, ou contradições, ou mentiras”, acusou o deputado João Semedo. “Dizem que a maternidade tem de estar integrada no hospital geral; mas por esse mundo fora há excelentes maternidades que não têm qualquer ligação a um hospital geral”, recordou o deputado, que é médico. “E isto levanta um problema, que é: o que vão fazer às duas maternidades de Coimbra e à maternidade Júlio Diniz do Porto?”
Para João Semedo, o grande argumento dos que defendem o encerramento é o que não dizem publicamente: “é a poupança de curto prazo, é o equilíbrio das contas públicas, é a redução da despesa custe o que custar. “Não pensando sequer que aquilo que hoje pode ser uma poupança vai sair muito caro nos próximos anos”, criticou.
João Semedo apontou também para a “miragem de um bom negócio imobiliário com o edifício da MAC. E isto é tão evidente que o governo teve o cuidado de começar por dizer: 'Não, não digam isso, porque nós até nem podemos usar o edifício para um fim distinto'. Passados uns dias já diziam o contrário”.
Para o deputado bloquista, a solução é muito clara: “Manter a maternidade aberta, para continuar a fazer o trabalho que faz, que não são apenas os partos, são consultas altamente diferenciadas quer para as grávidas, quer para os recém-nascidos de alto risco, que não têm assistência noutras maternidades de Lisboa”.
O PS absteve-se em relação ao projeto dos Verdes e do PCP. Os dois deputados verdes também optaram pela abstenção em relação à iniciativa socialista.
PSD, CDS, PS e Bloco votaram ainda contra um quinto projeto de resolução apresentado pelo PCP que pedia a "cessação de vigência" do decreto do Governo que integra a Maternidade Alfredo da Costa e o Hospital Curry Cabral no Centro Hospitalar de Lisboa Central.