Lucros da banca em Portugal atingem 3 mil milhões até setembro

14 de novembro 2023 - 19:50

À boleia do aumento dos juros, os cinco maiores bancos em Portugal lucraram mais 65% do que no mesmo período do ano passado.

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sede da Caixa Geral de Depósitos
Sede da Caixa Geral de Depósitos. Foto de Paulete Matos

O aumento expressivo das taxas de juro por parte do BCE no último ano refletiu-se de imediato nos juros cobrados pela banca nos créditos às empresas e famílias, mas não nos juros pagos aos clientes nos depósitos. A diferença fez disparar a margem financeira da banca em Portugal, e com ela os lucros apresentados no fim do terceiro trimestre. Assim, os cinco maiores bancos em Portugal registaram nos primeiros nove meses do ano lucros de 2,98 mil milhões de euros com a sua atividade em território nacional, mais 65% do que no período homólogo do ano anterior. Se somarmos o resultado obtido na atividade internacional, o lucro foi de 3,3 mil milhões.

Os lucros recorde deste ano somam-se dos 1,8 mil milhões dos primeiros nove meses de 2022 e aos 899 milhões no mesmo período de 2021. Este ano, é a Caixa Geral de Depósitos que lidera os lucros, com 837 milhões obtidos em Portugal e mais 150 milhões fora do país. Segue-se o Novo Banco com 639 milhões, o Santander Totta com 622 milhões e o BCP com 557 milhões. A fechar a lista está o BPI com 324 milhões de euros de lucros até setembro.

Segundo o Jornal de Negócios, em Portugal a diferença entre os juros cobrados nos créditos e os que são pagos nos depósitos e outras fontes de financiamento atingiu 5,35 mil milhões de euros, mais do dobro dos 2,5 mil milhões obtidos nos primeiros nove meses de 2022 e que não são muito diferentes do registado desde 2019. Também aqui se destaca o banco público, com a Caixa a registar 1,7 mil milhões de margem financeira.

Se a subida dos juros representou um jackpot nas contas da banca, para quem contraiu um crédito para a compra de casa ela resultou num pesadelo sem fim à vista. Apesar disso, o Governo sempre recusou as propostas de pôr a banca a contribuir com os seus lucros para o alívio da fatura do crédito à habitação, por exemplo reduzindo os seus spreads para minorar o impacto na prestação mensal.