Bancos aumentam comissões, Deco aponta "estratégia desonesta

23 de outubro 2023 - 19:08

Os juros baixos eram a justificação para o aumento das comissões cobradas pelas contas à ordem. Mas com os juros a disparar, nenhum banco se compromete a baixá-las e há anúncios de novos aumentos.

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caixa multibanco
Foto de Pedro Gomes de Almeida.

“É uma estratégia no mínimo desonesta”, diz a Deco Proteste ao Jornal de Notícias, que na edição desta segunda-feira destaca a política dos bancos quanto às comissões cobradas aos clientes com contas à ordem. Se durante os últimos anos, as comissões não pararam de aumentar, com a banca a justificar os aumentos com os juros baixos, agora que os juros dispararam não só mantêm as comissões em níveis elevados, como até anunciam novos aumentos.

É o caso do Novo Banco, que depois de ter aumentado a comissão em abril de 5,90 para 6,90 mensais, anuncia agora novo aumento para 7,50 euros a partir de 19 de janeiro. Os clientes com bonificação, que pagam agora 3,50, passarão a pagar 4,50 ou 5,50 por mês, dependendo do cliente. Ou seja, um novo aumento de 25% para contas não bonificadas e até 57% para as contas bonificadas. Ao JN, o Novo Banco justifica o novo aumento por ter comissões "inferiores à concorrência". Quanto à concorrência, não respondeu às perguntas do jornal sobre o aumento das comissões em 2022 e a razão para não as baixarem no atual contexto de juros altos.

Nuno Rico, da Deco Proteste, diz que os 2.238 milhões de euros em comissões cobradas pelos cinco maiores bancos em Portugal "são uma brutalidade" e critica a "passividade do Banco de Portugal" neste assunto, sublinhando que “só existe proteção do consumidor pela via legislativa”.

“Os bancos criam as comissões, aumentam-nas de forma muito significativa e, a seguir, propõem aos clientes que, para evitarem pagar tanto, então têm que ter um maior envolvimento com o banco, nomeadamente a domiciliação de ordenado ou o crédito à habitação. Mas nós já sabemos que uns meses depois também vai aumentar o preço para quem tem bonificação”, diz o especialista em produtos bancários.

À boleia do aumento das comissões e da subida dos juros, no ano passado os cinco maiores bancos em Portugal tiveram lucros de 2734 milhões de euros.