O convite a Francisco Louçã partiu de alunos do 12.º ano da escola Fernão Mendes Pinto, no Pragal, Almada, que, no âmbito da disciplina de Área de Projecto, decidiram tentar aproximar os jovens da política.
À Lusa, Diogo Coelho, aluno da área de Humanidades, explicou que esta manhã falou-se de “actualidade política, dos problemas que têm ocorrido no país, da situação financeira, do que podem ou não os jovens fazer, e também da discriminação das drogas leves”, acrescentando que “as questões “ficaram todas esclarecidas” e que a manhã “foi muito produtiva”.
Louçã disse que encontrou jovens “motivadíssimos, preparadíssimos e informadíssimos sobre os problemas da precariedade, do emprego, da qualificação, do serviço nacional de saúde, [e] sobre a política em relação à toxicodependência”.
Para o coordenador da Comissão Política do Bloco, este tipo de iniciativas “permite aos estudantes decidirem por si, trazerem mais responsabilidade, mais democracia e a sua experiência” à discussão, ao debate, e à escola, “e é isso faz falta no ensino público em Portugal”.
Louçã usou depois a música “Parva que sou”, dos portugueses Deolinda, de que já se disse ser um “hino do precariado”, e falou dos jovens e para os jovens: “Talvez a maior urgência seja a de acabarmos com uma economia parva que faz com que para ser escravo seja preciso estudar. E se a canção o diz, a realidade sublinha-o”, disse.
Apelou, para início de mudança, ao fim dos “falsos recibos verdes, uma medida concreta em que era possível começar a mudar a economia do país”.
"Há muitas razões para censurar o Governo"
Em declarações à agência Lusa depois do encontro com os alunos, Francisco Louçã afirmou que o Bloco "não quer a política de direita deste Governo e não quer outras políticas de direita que prejudiquem o essencial da democracia social".
Por isso, "há muitas razões para censurar o Governo", afirmou Louçã. "Queremos, pelo contrário, que haja uma alternativa de esquerda. A esquerda precisa de ser capaz de uma resposta, de um combate político em todos os planos. E é aí que o Bloco vai estar situado", disse.
Questionado sobre a hipótese concreta de apoio a uma moção de censura ao Governo, o líder do Bloco referiu que "quando houver decisões, o partido apresentá-las-á".
Por agora, Francisco Louçã diz apenas que "o combate tem que se fazer sempre de uma forma determinada para obter resultados, e agora a prioridade tem que ser a mobilização política para alternativas consistentes".
Francisco Louçã criticou a "permissão" do Governo em relação aos "falsos recibos verdes para um milhão de pessoas, o desemprego, o aumento da vulnerabilidade do trabalho", e sublinhou que as políticas do PS "atingem as pessoas mais frágeis na sociedade".