Está aqui

Lojas de roupa online: a fast fashion é feita de plástico

Um estudo britânico mostra como metade parte das roupas vendidas em lojas online são feitas de plásticos. Uma indústria de preços baratos que fica muito cara ambientalmente dizem os especialistas.
Trabalhadores montam uma apresentação de uma loja de roupas online. Foto de Eva Rinaldi/Flickr.
Trabalhadores montam uma apresentação de uma loja de roupas online. Foto de Eva Rinaldi/Flickr.

Segundo um relatório da Royal Society for Arts, Manufactures and Commerce britânica, 49% das roupas encontradas à venda em lojas online são feitas inteiramente de materiais plásticos como poliéster, acrílico e nylon.

O documento, intitulado “O problema de plástico da moda rápida”, analisa o impacto ambiental deste segmento da indústria da moda. A partir de 10.000 peças à venda em maio em páginas do Reino Unido de comércio de vestuário como a Asos, Boohoo, Missguided e PrettyLittleThing, conclui-se que aquilo a que se chama “fast fashion” traz consigo para além dos problemas sociais, como as condições de trabalho associadas de alta exploração e baixos salários, também problemas ambientais acrescidos ao “extraordinário impacto da indústria da moda na poluição atmosférica, do solo, da água e na produção de resíduos”.

A equipa liderada por Josie Warden, designer têxtil e mestre em Desenvolvimento Sustentável, descobriu que “até 88% dos artigos recentemente colocados” em algumas das páginas “contém plásticos novos”.

Há lojas online em que apenas 1% dos artigos contém materiais reciclados, apesar de muitas das empresas se dedicarem ao “greenwashing”, a lavagem de imagem tentando mostrar-se muito comprometidas ambientalmente. Os especialistas que fizeram este estudo salientam que fazem pequenas linhas de roupas com princípios sustentáveis, enquanto que o centro da sua produção continua a ser feito com produtos petroquímicos. Para além disso, os seus clientes não sabem que estão a adquirir roupas fabricadas com plásticos. Num inquérito anterior realizado pelo mesmo grupo apenas metade responderam que compravam regularmente roupas com materiais sintéticos.

Ao Guardian, Warden diz que “estes tecidos podem ficar baratos na compra mas fazem parte de uma economia petroquímica que alimenta alterações climáticas desenfreadas e poluição”, revelando que a “produção de fibras sintéticas usa quantidades enormes de energia”.

A especialista critica a produção descartável de roupas “concebidas para serem usadas apenas um punhado de vezes”. Não esquece também que “outros materiais, como o algodão e a viscose

cotton and viscose também podem criar problemas ambientais por isso em última instância é a escala da produção que tem de ser mudada.”

Termos relacionados Ambiente
(...)