Livrarias Bulhosa: Trabalhadores em greve concentram-se em Entrecampos

17 de fevereiro 2012 - 14:45

Os trabalhadores das livrarias Bulhosa estão em greve nesta sexta feira, reivindicando o pagamento dos salários em atraso de dezembro e janeiro, e concentram-se em Entrecampos. Os trabalhadores denunciam ainda que a empresa “violou o direito à greve e substituiu os trabalhadores por outros que habitualmente não executam determinadas funções”. Bloco questiona o Governo.

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Os trabalhadores dizem que “a péssima gestão que é feita pela administração das livrarias Bulhosa leva a que os seus funcionários tenham constantemente os ordenados em atraso”

António Santos do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços disse à agência Lusa que a empresa, pelo menos nas livrarias das Amoreiras e de Oeiras a administração “violou o direito à greve e substituiu os trabalhadores por outros que habitualmente não executam determinadas funções”.

Os trabalhadores das livrarias Bulhosa ainda não receberam os salários de dezembro e janeiro e só receberam recentemente o subsídio de Natal de 2011.

A primeira denúncia dos salários em atraso nas Livrarias Bulhosa foi feita em outubro de 2011 no facebook. Os trabalhadores referiam então:

“A péssima gestão que é feita pela administração das livrarias Bulhosa leva a que os seus funcionários tenham constantemente os ordenados em atraso.

Esta situação dura há mais de dois anos e tem-se vindo a agravar de mês para mês.

De acordo com o contrato colectivo de trabalho da APEL os ordenados devem ser pagos até ao último dia útil do mês trabalhado. Mas neste momento, passados 20 dias, os ordenados ainda não caíram.

Enquanto isso os escritórios foram transferidos para o Lx Factory, para um espaço totalmente remodelado, foi construído um auditório na livraria de Entrecampos e a administração desloca-se em Audis todas as semanas entre o Porto e Lisboa.”

Segundo António Santos, cerca de 50 trabalhadores das livrarias de Lisboa, Porto, Linda-a-Velha, Oeiras e Cascais pedem à direção da empresa que “os encare de outra forma e que procure caminhos para ultrapassar a situação”.

Desde que a greve foi convocada, segundo António Santos, “a administração não fez qualquer proposta e que mantém a posição de que não tem liquidez, não tem como pagar [os ordenados em atraso]”.

A cadeia de livrarias pertence ao Grupo Civilização, que detém também a editora Civilização.

O Bloco de Esquerda questionou nesta sexta feira o Governo sobre os atrasos no pagamento dos salários de trabalhadores e trabalhadoras da livraria Bulhosa. A deputada Catarina Martins pergunta ao Ministério da Economia e do Emprego (aceda ao texto da pergunta na íntegra), se tem “conhecimento destes atrasos salariais na empresa Bulhosa Livreiros, a cargo do Grupo Civilização” e se a “ACT a acompanhar este processo no sentido de salvaguardar os direitos dos trabalhadores”.

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