O Bloco de Esquerda apresentou esta quinta-feira as listas que o partido apresenta para a câmara municipal, para a assembleia municipal e para as assembleias de freguesia.
Nas listas, a maioria são mulheres: 52%; 9 candidatas em 17 para a câmara e 28 mulheres em 51 candidatos à Assembleia Municipal. “Há muitos independentes que se associam ao Bloco para este combate” disse Semedo e exemplificou. Dos dez primeiros candidatos à câmara, cinco são independentes. João Semedo quis ainda sublinhar um aspeto que considerou curioso: “O mais novo nas listas tem 18 anos e o menos novo tem 80 anos. Mas tem tanta energia quanto o que tem 18 anos”.
Composição da lista
Na mesa da apresentação, estavam, além de João Semedo, Ana Drago, candidata à Assembleia Municipal; o mandatário da candidatura, o músico Carlos Mendes, a jornalista Diana Andringa, o dirigente associativo José Gema, Manuela Carreira, presidente da liga dos amigos do Jardim Botânico, Maria João Brás, do GAT – Grupo Português de Ativistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA, Margarida Garrido, que faz parte da campanha pela esterilização dos animais; Sérgio Vitorino, ativista LGBT, e Guadalupe Simões, do sindicato dos enfermeiros.
Três objetivos
João Semedo apresentou três grandes objetivos: recuperar o vereador que o Bloco de Esquerda perdeu, aumentar a presença na Assembleia Municipal de Lisboa, e alargar a representação nas assembleias de freguesia.
O vereador será a voz forte que todos reconhecem no Bloco, contra os interesses mais difíceis de combater, disse o coordenador do Bloco. “A esquerda, a cidade e os lisboetas só têm a ganhar com o regresso do Bloco de Esquerda à CML”.
Direita terá pesada derrota
João Semedo previu que a direita vai ter uma pesadíssima derrota nestas eleições em Lisboa, seja ou não Fernando Seara o seu candidato, porque os lisboetas ainda não se esqueceram do que foi a Câmara Municipal de Lisboa no tempo de Santana Lopes. E muito menos se esquecem do que está a ser a austeridade pela mão de Pedro Passos Coelho. “Essas serão as razões da derrota da direita no dia 29 de setembro”.
Quatro grandes preocupações
Semedo apresentou quatro grandes preocupações nesta campanha eleitoral e no programa que será apresentado no mês de agosto: Urbanismo e habitação, transporte, emergência social e património de Lisboa. “São esses pontos em que António Costa e a maioria do PS ficaram aquém do esperado e sobretudo aquém do necessário”. Nas áreas mais difíceis, mais complexas e trabalhosas, naquilo em que há mais interesses que é preciso derrubar, “António Costa ficou muito longe do que se exigia, não foi o presidente de câmara que Lisboa precisava”.
Na questão do urbanismo e habitação, o Bloco propõe a criação de um Fundo Municipal de Reabilitação, para que haja mais reabilitação e menos construção nova, “por muito que isso seja em prejuízo dos promotores imobiliários”. Propõe que seja criada uma Bolsa Municipal de Arrendamento que permita disponibilizar mais casas no mercado de habitação e sobretudo que essas casas tenham um preço acessível; e finalmente que a câmara crie uma bolsa de casas para os inquilinos que vão ser despejados nos próximos tempos – os inquilinos mais pobres, mais sozinhos, mais abandonados.
Quanto aos transportes, Semedo criticou a postura de se limitar apenas a criticar as malfeitorias que o governo central tem feito. “Queremos uma CML que tenha responsabilidades diretas na resolução do problema dos transportes. Por isso, o Bloco propõe a criação de uma empresa pública de capital misto, da câmara e do Estado, para gerir e tomar conta da rede dos transportes em Lisboa. É o que se espera de uma câmara: que mande nos transportes”, ironizou Semedo.
No que se refere à emergência social, Semedo defendeu a necessidade de responder aos que passam fome, aos que perderam a casa, aos que deixaram de ter dinheiro para pagar o empréstimo das sua casa; aos sem-abrigo, que são mais de dois mil em Lisboa, e “nós não podemos admitir que este número continue a aumentar. “A câmara tem de “mobilizar o seu parque habitacional disponível para alojar estas pessoas”. Por último, Semedo defendeu programas de emergência social que respondam àquilo que é mais difícil de ultrapassar: o isolamento e a solidão.
Por último, Semedo defendeu a urgência de salvar o património de Lisboa, dando o exemplo recente da Livraria Sá da Costa, que anunciou o encerramento justamente quando comemorava o seu centenário. “A câmara tem de ter projetos e ideias também para defender o património de Lisboa, porque essa é a riqueza de todos nós”.