Uma das muitas discordâncias do frente-a-frente televisivo entre os líderes do PS e do Bloco sobre as respostas à crise na habitação foi a da proposta do Bloco para que o banco público baixe os juros do crédito à habitação, arrastando assim a concorrência a tomar a mesma medida.
Pedro Nuno Santos respondeu que "esta medida não é possível e tem outro problema: é regressiva. O lucro da CGD é de todos os portugueses e os dividendos são distribuídos ao Estado que pode aplicar na habitação (...) Um acionista, público ou privado, não pode dar orientações sobre modelo de risco dos bancos. Pode definir estratégia, mas não pode determinar que baixe o spread. É uma medida que não funciona".
A seguir ao debate, o site Polígrafo esclareceu que a posição de Pedro Nuno Santos desta sexta-feira contradiz a que defendeu há apenas três meses numa entrevista ao podcast Perguntar Não Ofende, da autoria de Daniel Oliveira. Nessa entrevista, foi o próprio líder do PS, então em campanha interna para o cargo, que trouxe a proposta à conversa, ao dizer que "nós vamos ouvindo, e mesmo à direita, políticos e comentadores que se posicionam à direita a defender que deviam ser dadas orientações à Caixa Geral de Depósitos para definir uma taxa de juro sobre os créditos diferente da dos seus concorrentes e dessa forma influenciar o mercado".
Daniel Oliveira interrompeu-o para dizer que essa era também a sua posição. E Pedro Nuno Santos prosseguiu: "Não, correta. E faz sentido. Agora, os mesmos que dizem isso, dizem que houve uma interferência na gestão da TAP."
Nas redes sociais, Mariana Mortágua recupera essa parte da entrevista e deixa a pergunta ao líder socialista: "O que mudou?"
Há apenas três meses, Pedro Nuno Santos achava "correto" que a Caixa Geral de Depósitos baixasse os juros do crédito à habitação. Agora diz que esta proposta do Bloco é "impossível". O que mudou? pic.twitter.com/bFJXdrZ18d
— mariana mortágua (@MRMortagua) February 17, 2024