Líder do PS defendia há três meses que "faz sentido" baixar juros da Caixa

17 de fevereiro 2024 - 17:04

No debate com Mariana Mortágua, Pedro Nuno Santos defendeu esta sexta-feira que "não é possível" o Estado dar ordens ao banco público para cortar nos juros do crédito à habitação. Em novembro afirmou que a medida "é correta" e "faz sentido".

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Pedro Nuno Santos
Pedro Nuno Santos. Foto Ana Rocha Nené/PS/Flickr

Uma das muitas discordâncias do frente-a-frente televisivo entre os líderes do PS e do Bloco sobre as respostas à crise na habitação foi a da proposta do Bloco para que o banco público baixe os juros do crédito à habitação, arrastando assim a concorrência a tomar a mesma medida.

Pedro Nuno Santos respondeu que "esta medida não é possível e tem outro problema: é regressiva. O lucro da CGD é de todos os portugueses e os dividendos são distribuídos ao Estado que pode aplicar na habitação (...) Um acionista, público ou privado, não pode dar orientações sobre modelo de risco dos bancos. Pode definir estratégia, mas não pode determinar que baixe o spread. É uma medida que não funciona".

A seguir ao debate, o site Polígrafo esclareceu que a posição de Pedro Nuno Santos desta sexta-feira contradiz a que defendeu há apenas três meses numa entrevista ao podcast Perguntar Não Ofende, da autoria de Daniel Oliveira. Nessa entrevista, foi o próprio líder do PS, então em campanha interna para o cargo, que trouxe a proposta à conversa, ao dizer que "nós vamos ouvindo, e mesmo à direita, políticos e comentadores que se posicionam à direita a defender que deviam ser dadas orientações à Caixa Geral de Depósitos para definir uma taxa de juro sobre os créditos diferente da dos seus concorrentes e dessa forma influenciar o mercado".

Daniel Oliveira interrompeu-o para dizer que essa era também a sua posição. E Pedro Nuno Santos prosseguiu: "Não, correta. E faz sentido. Agora, os mesmos que dizem isso, dizem que houve uma interferência na gestão da TAP."

Nas redes sociais, Mariana Mortágua recupera essa parte da entrevista e deixa a pergunta ao líder socialista: "O que mudou?"