“Levar o país a sério”

26 de fevereiro 2023 - 17:55

A Mesa Nacional reuniu este domingo para fazer o balanço da sua atividade, aprovar o regimento da Convenção e o seu lema. Catarina Martins diz que se trata da “exigência republicana de uma democracia que responde com transparência ao país” e de “sinalizar a absoluta necessidade de “ouvir as crescentes reivindicações”.

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Catarina Martins no final da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda. Foto de MIGUEL A. LOPES / LUSA.
Catarina Martins no final da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda. Foto de MIGUEL A. LOPES / LUSA.

Em final de mandato, a Mesa Nacional do Bloco de Esquerda reuniu este domingo. Do debate sobre o balanço da sua atividade saiu um relatório de atividades aprovado por unanimidade e para a Convenção de maio ficou decidido o regimento e o seu lema: “Levar o País a Sério”.

Em conferência de imprensa após a reunião, Catarina Martins explica que este lema pretende indicar “duas prioridades do Bloco de Esquerda”. A primeira é “sinalizar a exigência republicana de uma democracia que responde com transparência e com verdade ao país”. A segunda “sinalizar a absoluta necessidade que existe hoje de ouvir o país, as crescentes reivindicações e dar resposta a quem trabalha e a quem exige uma alternativa política”.

A coordenadora do Bloco comentou ainda as declarações do Presidente da República de que “o governo com a atual situação difícil de vida devia ponderar novos apoios sociais”. Para ela, “sem prejuízo dos apoios sociais quando eles são necessários é bom que não nos enganemos: o país que sai à rua e que se mobiliza não quer uma política de pequenos apoios. Reivindica habitação, salários, políticas económicas de equilíbrio face a uma especulação que torna os preços incomportáveis e a salários e pensões congelados e que estão a criar uma dificuldade objetiva enorme na vida das pessoas”.

E foi precisamente na multiplicação de protestos no quadro de um “novo ciclo político” em que “a maioria absoluta que é incapaz de responder às necessidades do país” que centrou a sua intervenção. Considera que “Portugal está neste momento na situação extraordinariamente difícil de ter uma das maiores subidas de preços de toda a Europa ao mesmo tempo que os salários e as pensões continuam a recuar” ilustrada pelo aumento de 150% do preço do gás natural e pela subida maior do preço dos alimentos “do que no resto da Europa”.

Dado isto, “não é explicável” que o governo “insista numa política de desvalorização dos salários e pensões e é por isso que não é com pequenos apoios que se pode conseguir uma resposta para o país”. A dirigente bloquista aponta como caminho “outra política que passará necessariamente por salários pensões dignas, controlo de preços e fixação de margens porque sabemos que neste processo de inflação há fenómenos especulativos que permitem lucros milionários na grande especulação da grande distribuição, da energia e de outros setores”.

E insiste ainda noutra das bandeiras em que o partido tem batalhado: “é precisa uma política de habitação que seja concreta e que não seja apenas por a debate o powerpoint que ninguém percebe sequer o que quer dizer”.