Legalização da canábis volta a unir cidades de todo o mundo

05 de maio 2013 - 13:12

A Marcha Global da Marijuana voltou a juntar no mesmo dia os protestos em mais de 200 países contra o proibicionismo e por uma solução que proteja os consumidores e a saúde pública. Esta semana é a vez do parlamento português discutir a legalização do autocultivo e dos Clubes Sociais de Canábis.

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Milhares de pessoas encheram o centro de Buenos Aires, numa das maiores manifestações da Marcha Global da Marijuana 2013 em todo o mundo.

A Marcha Global da Marijuana é a iniciativa que todos os anos, no primeiro sábado de maio, traz à rua muita gente para fazer a festa e celebrar uma planta perseguida há milhares de anos, mas cujos efeitos para a saúde não justificam nem de perto nem de longe o desperdício de dinheiro investido na repressão a quem a planta ou consome.

Este ano não foi exceção e da Cidade do Cabo a Berlim, de Buenos Aires a Toronto, ouviram-se de novo os slogans e apelos a favor da legalização da canábis e pelo aproveitamento desta planta nas suas várias vertentes, seja no uso terapêutico ou na alimentação. Em Portugal, centenas de pessoas, sobretudo jovens, saíram à rua no Porto sob o lema "Legaliza Já!", num desfile ligou a Praça do Marquês à Praça D. João I. Em Braga, dezenas de pessoas também marcharam para acabar com a perseguição anacrónica aos consumidores de canábis. Os ativistas partiram do Arco da Porta Nova e ao som de gaita de foles e bombos percorreram a rua até à Avenida Central, distribuindo animação e atraindo a curiosidade dos transeuntes. 

Em Copenhaga, a marcha contou com quatro mil pessoas nas contas da polícia e arrancou do bairro de Christiania, que já foi uma "zona livre de proibicionismo" em direção à sede do município. No itinerário desta marcha esteve o ministério da Justiça mas também a embaixada portuguesa, assinalando a aprovação da lei de 2001 que acabou com as penas de prisão para os consumidores em Portugal.

 

O assunto regressa esta semana ao parlamento português, tal como em 2001 pela mão do Bloco de Esquerda. Os bloquistas querem que a lei proteja os consumidores de canábis que se recusam a financiar o tráfico e plantam o que consomem. A legalização do cultivo para consumo pessoal - o autocultivo - é uma das propostas que os deputados vão ser chamados a debater já esta quarta-feira, a par da criação do enquadramento legal para que estes consumidores se possam associar em clubes sociais de canábis, como já existe em Espanha há mais de 15 anos.

Na proposta do Bloco, estes clubes sociais têm uma lotação limitada e permitem aos associados plantarem o suficiente de acordo com as previsões do seu consumo, fazendo-o de forma legal e contribuindo com impostos para os cofres públicos. Apenas os associados, obrigatoriamente maiores de idade, têm acesso à canábis plantada no clube e em doses permitidas pela lei que já existe.

A experiência destes clubes sociais em dezenas de cidades espanholas mostrou que são eficazes no combate ao tráfico e trazem mais segurança quer a consumidores quer à população dos locais onde estão instalados. Por outro lado, não existe a vertente comercial que vemos no modelo dos coffee-shops holandeses, mas um modelo associativo que permite uma maior ligação e acompanhamento dos associados pelo próprio clube, que organiza sessões de esclarecimento sobre consumo e redução de riscos, alerta para consumos problemáticos e está impedido de fazer publicidade aos seus produtos.