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Le Pen e Macron saem derrotados das regionais francesas

Segunda volta das eleições voltou a atingir os dois terços de abstenção. Extrema-direita falhou o objetivo de alcançar uma presidência e o partido de Macron confirmou os fracos resultados.
Jovens passam de bicicleta em frente a cartazes eleitorais.
Cartazes eleitorais em frente a uma secção de voto em Paris este domingo. Foto Ian Lansgsdon/EPA

A pandemia contribuiu, mas não explica tudo. Esta foi a conclusão da generalidade dos analistas quando foi conhecida a taxa de abstenção em torno dos 66% de eleitores, semelhante à da primeira volta nestas eleições regionais francesas. Face ao recorde abstencionista da semana passada, candidatos e partidos tinham apelado a um “sobressalto cívico” do eleitorado na fase decisiva da corrida eleitoral, mas o apelo não foi correspondido este domingo.

O resultado final confirmou o domínio da direita em sete das treze regiões em disputa, com os candidatos da esquerda a vencerem cinco e os autonomistas a ganharem na Córsega. Tanto Le Pen como Macron, apontados como favoritos a disputar a segunda volta das próximas presidenciais, acabaram derrotados e sem vencer qualquer presidência.

Numa sondagem da Ipsos/Sopra Steria divulgada este domingo pela France Télévisions, Radio france et LCP/Public Sénat, a justificação do coronavírus surge apenas com 10% das respostas como uma das razões para não ir votar. No topo das respostas, com 27% e sobretudo entre os maiores de 60 anos, está a vontade de expressar descontentamento com a generalidade dos políticos. Segue-se com 20% das respostas a razão de nenhuma lista ou candidato agradar aos inquiridos, um fenómeno presente sobretudo à esquerda nos casos de apoio ou desistência das suas listas na segunda volta, oferecendo nalguns casos uma escolha entre a direita e a extrema-direita. E em terceiro lugar, com 20% das respostas, surge o desinteresse de quem afirma que tem outras prioridades para o seu domingo, como aproveitar o bom tempo, uma razão dada em especial pelos eleitores da LREM, o partido de Emannuel Macron.

A desmobilização dos eleitores atravessou o espectro político francês, incluindo a União Nacional de Marine Le Pen, que esperava poder vencer presidências de regiões e assim catapultar  a candidatura presidencial da sua líder. Na mira da extrema-direita estavam as regiões de Provence-Alpes-Côte d'Azur e dos Hauts de France. Na primeira, Thierry Mariani tinha ficado à frente na semana passada com 36.38% dos votos. Mas o atual presidente da região, Renaud Muselier, dos Republicanos, beneficiou da desistência do candidato ecologista para impedir a vitória de Mariani, assegurando a reeleição com 60.3% dos votos, quase duplicando o seu resultado da primeira volta.

Nos Hauts de France, o candidato da UN, Sebastien Chenu, chegou a acalentar esperanças de vencer o incumbente Xavier Bertrand, o antigo ministro de Sarkozy que venceu Marine Le Pen nas regionais de 2015, mas este ganhou vantagem logo na primeira volta e foi reeleito este domingo com 52.3% numa eleição a três, aqui com a presença da candidatura que juntou esquerda e ecologistas (a eurodeputada dos Verdes Karima Delli obteve 22%) e de Chenu (25.6%). Como já era previsto, no seu discurso de vitória Xavier Bertrand aproveitou a fragilidade eleitoral tanto da UN como da LREM de Macron - cujo candidato obteve menos de 10% e ficou afastado na primeira volta - para se colocar a ele próprio na corrida às presidenciais de 2022.

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