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Lançada campanha “Agro-ambientais sem glifosato”

Destacando que os herbicidas, em particular o glifosato, estão a poluir o solo, a água, os alimentos e as pessoas, tornando-se um grave problema ambiental e de saúde pública, a Plataforma Transgénicos Fora reivindica uma agricultura regenerativa, climática, sem organismos geneticamente modificados e com mais carbono no solo.

Decorreu esta segunda-feira na Herdade do Esporão, em Reguengos de Monsaraz, o lançamento da Campanha Agro-ambientais sem glifosato.

Na nota de apresentação da campanha, a Plataforma Transgénicos Fora refere que “fala-se da urgência de reduzir, a todo o custo, as emissões de GEE [Emissões de Gases com Efeito de Estufa] para travar as alterações climáticas mas poucos falam da possibilidade de as reverter através da agricultura”.

“Afinal, há soluções eficazes para os problemas atuais mas falta aplicá-las em larga escala”, continua.

Sublinhando que, “depois de décadas de desacordo entre os cidadãos e o poder estamos finalmente perante um discurso político, a nível europeu e nacional, que valoriza a preservação do ambiente”, a Plataforma destaca que, no entanto, “as palavras só por si são insuficientes”, sendo que, “se queremos concretizar as mudanças preconizadas, é necessário que a palavra e a ação estejam em sincronia, fechando o hiato que as tem separado e gerado o desconcerto do mundo”.

As Organizações não Governamentais de Ambiente que promovem a campanha traçam o atual “estado de sítio” em Portugal: os solos agrícolas em Portugal estão poluídos, nomeadamente em vinhas, em que, de entre 11 países, Portugal foi o que apresentou o teor máximo de glifosato.

Os ambientalistas lembram que “o glifosato é tóxico para vários organismos importantes para a fertilidade do solo e para a nutrição equilibrada das culturas, como é o caso das minhocas e das micorrizas, e de diversas espécies de bactérias do solo, promotoras do enraizamento e do crescimento das plantas”, e é também tóxico para as abelhas, “nomeadamente por afetar a sua flora intestinal devido ao seu efeito de antibiótico”.

Também as águas “terão problemas uma vez que o glifosato tem uma persistência no solo superior a dois meses e é muito solúvel na água, sendo por isso facilmente arrastado pela escorrência da chuva para as águas superficiais (rios e suas albufeiras, lagos, charcas), ou pela infiltração para as águas subterrâneas”, alertam.

De acordo com a Plataforma, “a real situação em Portugal não é conhecida por falta de análises, mesmo nas águas de consumo humano, em que a Autoridade competente (DGAV) não as inclui na lista de pesticidas a analisar pelas entidades gestoras de água para consumo humano”.

Os objetivos da campanha “Agro-ambientais sem glifosato” passam por excluir o herbicida glifosato dos modos de produção agrícola subsidiados pelas medidas agroambientais, limitar o uso de outros herbicidas de síntese química nas medidas agroambientais a situações específicas e tecnicamente justificadas e reduzir o uso de outros pesticidas, em particular os de maior toxicidade crónica e os mais tóxicos para a fauna auxiliar e para o ambiente em geral, e promover enriquecimento do ecossistema agrícola bem como a formação dos agricultores em práticas agrícolas que permitam conciliar a produção económica com a proteção ecológica.

Em causa está também promover práticas agrícolas capazes de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa (CO2, CH4, N2O) e aumentar o sequestro de carbono no solo, excluir as culturas geneticamente modificadas (OGM) das Medidas Agroambientais, alterar as regras das medidas agroambientais de modo a reforçar a componente ambiental e majorar as ajudas agroambientais aos agricultores que apliquem o maior número de práticas agrícolas mais favoráveis à melhoria da fertilidade do solo e ao sequestro de carbono.

A Plataforma Transgénicos Fora pretende ainda contribuir para inverter a tendência de desertificação física (erosão e degradação do solo) que já está a ocorrer em várias regiões de Portugal, principalmente no interior, e sinalizar, perante o Governo e a Assembleia da República sobre a urgência de, nomeadamente, fazer uma revisão profunda das regras de produção integrada.

 

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