Juros portugueses atingem máximo histórico face aos alemães

17 de janeiro 2012 - 10:03

Os juros da dívida portuguesa foram os que mais subiram depois do corte do “rating” de nove países europeus. Com o triplo “lixo” da dívida nacional, fundos de investimento deram ordens de venda das obrigações do tesouro e levou dívida nacional a um máximo histórico face à da Alemanha.

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Foto de Paulete Matos

O corte de “rating” da dívida portuguesa pela Standart & Poors, e consequente classificação de “lixo” pelas três maiores agências de notação, levou índices de gestão de fundos - como o World Government Bond, do Citigroup - a anunciar que vão retirar a dívida portuguesa do seu indicador financeiro. O resultado não se fez esperar. Os juros da dívida portuguesa são os que mais sobem em toda a Europa, incluindo os outros oito países que viram descer a sua notação, e o prémio de risco da divida nacional atingiu o valor máximo face à da Alemanha.

Com o corte do rating, os juros a três anos dispararam para os 18,7% e para os 17,3% a cinco anos. A pressão sobre a dívida nacional levou o prémio do risco exigido entre a dívida nacional e a da Alemanha a atingir a diferença mais elevada de sempre, com os juros portugueses a dez anos nos 14,165% e os alemães a ficarem-se por 1,754%.

Depois da revisão em baixa das notas de nove países da moeda única, a S&P anunciou ontem a queda da notação do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF). Este fundo, que funciona como instrumento financeiro que suporta os países sob intervenção externa, como Portugal, deixou de estar avaliado com um rating AAA e passou para a nota AA+.

O FEEF tem como garantia a notação dos países da zona euro e, com o corte do “rating” da França e Áustria, apenas quatro países da zona (Alemanha, Finlândia, Holanda e Luxemburgo) têm a nota máxima das agências de notação. A diminuição do "rating" do FEEF, e as previsíveis subidas dos juros pagos por países como a Áustria e a França, pode pôr em causa os juros pagos por Portugal à troika. As noticias dos últimos três dias, tornam o regresso aos mercados daqui a dois anos, previsto no acordo com a troika, como uma miragem cada vez mais longínqua.                                                                                                                                                            

Lembrando que Passos Coelho tem vindo a anunciar toda e cada uma das medidas de austeridade deste governo como um sinal “para acalmar os mercados”, e que "esta estratégia tem falhado sistematicamente", Ana Drago considera que o Governo "deveria ter aproveitado tempos anteriores para fazer uma renegociação dos juros das 'tranches' de dinheiro que têm chegado a Portugal, e que são muito elevados". A deputada do Bloco afirma que é urgente "uma actuação do Banco Central Europeu que permita contrapor uma abordagem política de países democráticos aos mercados financeiros, que têm os seus interesses especulativos de lucro".